MWM MWMW MWM MWMWMW, 29 de Maio
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O Atlas da Violência, estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apresentou dados referentes ao ano de 2024 e revelou importantes tendências relacionadas à violência no Brasil. Entre os indicadores que mais chamaram atenção está o aumento da taxa de feminicídios, que atingiu o maior nível já registrado desde a criação da legislação específica para esse tipo de crime, em 2015. O levantamento também destacou o elevado número de mortes violentas por causa indeterminada, categoria que reúne ocorrências em que não foi possível identificar com precisão a motivação ou as circunstâncias do crime. Mais de 17 mil pessoas morreram nessas condições, o que levanta preocupações sobre a qualidade das investigações e o monitoramento da violência no país. O estudo também evidenciou o forte impacto da criminalidade sobre a juventude brasileira. Entre 2014 e 2024, mais de 300 mil jovens com idade entre 15 e 29 anos perderam a vida em decorrência da violência. Casos como o de um músico e motorista de ônibus de 25 anos, morto após ser atingido por um disparo de fuzil durante um confronto armado na Baixada Fluminense, exemplificam uma realidade que continua afetando milhares de famílias brasileiras. Em média, ao longo desse período, dezenas de jovens morreram diariamente em episódios relacionados à violência letal.



Os pesquisadores apontam que a violência que atinge crianças e adolescentes não se limita aos homicídios. Diversas formas de exclusão social, dificuldades educacionais, barreiras ao acesso ao mercado de trabalho e vulnerabilidades econômicas contribuem para aumentar os riscos enfrentados por essa parcela da população. Segundo especialistas, esses fatores podem facilitar o recrutamento de jovens por organizações criminosas, ampliando os desafios para a prevenção da violência. Apesar desse cenário preocupante, o estudo revelou que o Brasil registrou em 2024 o menor número de homicídios da última década. Foram pouco mais de 42 mil assassinatos, correspondendo a uma taxa de aproximadamente 20 homicídios para cada 100 mil habitantes. O resultado representa uma redução de quase 7,5% em comparação ao ano anterior. As maiores taxas de homicídios foram observadas nos estados do Amapá, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará, enquanto São Paulo, Santa Catarina, Distrito Federal, Minas Gerais e Rio Grande do Sul apresentaram os menores índices de violência letal. No entanto, os responsáveis pelo levantamento alertam para a possibilidade de subnotificação em parte dos registros, o que pode influenciar a precisão dos números. Ainda assim, os especialistas afirmam que as evidências disponíveis indicam uma tendência consistente de queda nos homicídios em âmbito nacional.

Outro aspecto relevante destacado pelo Atlas da Violência diz respeito às desigualdades raciais presentes nos índices de criminalidade. De acordo com o estudo, a taxa de homicídios entre pessoas negras é significativamente superior à observada entre não negros, evidenciando uma disparidade persistente no risco de vitimização. Os pesquisadores defendem que a produção de estatísticas confiáveis é fundamental para orientar políticas públicas capazes de enfrentar essas desigualdades e reduzir a violência. Além dos homicídios, o levantamento apontou que os acidentes de trânsito continuam figurando entre as principais causas de mortes violentas no país. Somente em 2024, mais de 37 mil pessoas perderam a vida em ocorrências dessa natureza, sendo que mais de 40% dos casos envolveram motocicletas. A gravidade desse problema pode ser observada em histórias como a de um jovem que permanece hospitalizado há mais de cem dias após um grave acidente entre uma motocicleta e um caminhão. Depois de passar por diversas cirurgias e enfrentar momentos críticos, o paciente segue em processo de recuperação, consciente e lutando pela própria sobrevivência. Casos como esse reforçam a necessidade de investimentos contínuos em segurança pública, educação, inclusão social e prevenção de acidentes, com o objetivo de preservar vidas e reduzir os impactos da violência em suas diferentes formas.