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As fortes chuvas registradas em diferentes regiões produtoras provocaram atrasos significativos na colheita da soja e, consequentemente, impactaram o início do plantio do milho segunda safra. Em municípios como Piracanjuba, produtores rurais enfrentam dificuldades para cumprir a chamada “janela ideal” de plantio, que ocorre tradicionalmente entre os meses de janeiro e fevereiro. Com o solo encharcado por períodos prolongados de precipitação, as máquinas agrícolas só conseguiram entrar nas lavouras mais tardiamente, o que encurtou o período disponível para a semeadura. Em propriedades familiares da região, áreas que antes eram ocupadas pela soja estão sendo preparadas para o cultivo do milho, com aplicação de fertilizantes e organização do solo, mas o ritmo do trabalho depende diretamente da regularidade do clima.
Diante desse cenário, os agricultores têm adotado estratégias para reduzir riscos e manter a viabilidade econômica da produção. Em áreas onde o plantio não consegue ser realizado dentro do prazo ideal, a alternativa tem sido a utilização de variedades mais rústicas e de menor custo, capazes de suportar melhor condições climáticas adversas. Além disso, alguns produtores têm demonstrado preocupação com a queda no preço da saca de milho, que atualmente apresenta valor inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior, ao mesmo tempo em que os custos de produção aumentaram, especialmente devido ao encarecimento dos fertilizantes. Como a segunda safra de milho é tradicionalmente cultivada em um período de maior risco climático, o investimento torna-se mais incerto, exigindo maior cautela nas decisões de plantio e manejo.
Em propriedades de maior escala, a dinâmica é semelhante, com a colheita da soja ainda em andamento enquanto já se inicia o plantio do milho em sucessão. No entanto, a limitação do tempo disponível pode impedir que toda a área planejada seja semeada dentro do prazo estabelecido, levando produtores a buscar alternativas como o cultivo de sorgo, que apresenta maior resistência à seca e menor custo de produção. Apesar dessas estratégias de adaptação, o setor continua fortemente dependente das condições climáticas, especialmente da regularidade das chuvas, que podem tanto atrasar quanto favorecer o desenvolvimento das lavouras. A expectativa dos produtores é de que a continuidade das precipitações ao longo das próximas semanas contribua para o desenvolvimento das culturas, ainda que o resultado final permaneça condicionado ao comportamento do clima até o fim do ciclo agrícola.

