MWM MWMW MWM MWMWMW, 21 de Maio
-


O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, conhecido como ICMBio, e o governo de Rondônia receberam autorização para realizar o abate de milhares de búfalos selvagens que vivem em áreas de preservação ambiental do estado. A presença desses animais é considerada um grave problema ambiental há várias décadas, pois eles provocam danos à vegetação, ao solo e à fauna nativa da região. Embora os búfalos não sejam originários do Brasil, eles se espalharam amplamente em determinadas áreas do território nacional. Na região do Vale do Guaporé, onde os biomas Amazônia, Pantanal e Cerrado se encontram, os animais ocupam reservas importantes, como as reservas do Guaporé, Pau d’Olho e Pedras Negras. Devido ao grande peso e ao deslocamento constante dos búfalos, o solo acaba sendo compactado, tornando-se mais baixo e vulnerável à erosão. Em muitos pontos, árvores começam a cair por causa da alteração da estrutura do terreno. Além disso, a circulação dos animais interfere diretamente na sobrevivência de espécies nativas, como o cervo-do-pantanal, que já enfrenta risco de extinção. Sem predadores naturais, os búfalos se multiplicaram rapidamente e passaram a dominar áreas inteiras das reservas ambientais.



A origem desse problema remonta ao ano de 1953, quando os primeiros 36 búfalos foram levados para Rondônia em um projeto do governo estadual. A intenção era utilizar os animais para produção de carne, leite e também como força de tração em atividades rurais. Os búfalos vieram do Pará, onde a espécie asiática já era criada comercialmente. Entretanto, o projeto não obteve sucesso e, com o passar do tempo, a fazenda pública responsável pela criação foi abandonada. Sem controle adequado, os animais começaram a se reproduzir livremente e ultrapassaram os limites das cercas. Tentativas posteriores de captura e contenção não tiveram resultados positivos e acabaram contribuindo para a dispersão ainda maior do rebanho. Estudos recentes realizados pelo governo de Rondônia apontam que atualmente existem mais de cinco mil búfalos selvagens vivendo na região. Pesquisas do ICMBio revelam ainda que, entre 1986 e 2020, a reserva ecológica do Guaporé perdeu quase metade de seus espelhos d’água. Isso acontece porque os búfalos costumam caminhar em fila, formando trilhas profundas que facilitam o escoamento da água e aceleram o processo de degradação ambiental. Com a destruição da vegetação, o solo se torna mais frágil e sujeito a danos permanentes.

Diante desse cenário, uma lei estadual aprovada em 2016 autorizou o abate dos búfalos na região. Em março deste ano, após autorização do IBAMA, o ICMBio e o governo de Rondônia iniciaram um projeto piloto para definir métodos de controle da espécie e avaliar os impactos ambientais da medida. O Ministério Público Federal tentou suspender a ação na Justiça, mas a decisão judicial permitiu a continuidade da pesquisa e estabeleceu um prazo de 14 meses para que seja apresentado um plano definitivo de erradicação dos animais. Até a conclusão desse processo, cerca de 500 búfalos deverão ser abatidos. A carne dos animais não poderá ser distribuída para consumo, e as carcaças permanecerão na reserva para análises científicas. Pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia participam do projeto realizando necropsias e coletando amostras de tecidos para avaliar as condições sanitárias dos animais que vivem no Vale do Guaporé. Segundo os responsáveis pela pesquisa, a presença descontrolada dos búfalos impede tanto a preservação ambiental quanto o desenvolvimento de estudos científicos nas reservas biológicas, já que os animais frequentemente destroem equipamentos e materiais utilizados nas pesquisas de campo.