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Um relatório global divulgado por entidades como a União Europeia, a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Banco Mundial revelou um agravamento significativo da fome aguda no mundo ao longo da última década. Segundo o documento, em 2025 cerca de 266 milhões de pessoas enfrentaram fome aguda em 47 países e territórios, um quadro que representa a duplicação desse problema em dez anos. A fome aguda é caracterizada por uma situação extrema de insegurança alimentar, na qual a falta de acesso a alimentos é tão severa que coloca vidas em risco imediato, exigindo resposta humanitária urgente. Entre os casos mais críticos estão regiões como Haiti, Sudão e Iêmen, onde aproximadamente 1,4 milhão de pessoas viveram em condições extremas de sobrevivência, evidenciando a profundidade da crise humanitária global.
O relatório também destaca que, pela primeira vez, duas situações de fome generalizada foram registradas no mesmo ano, em regiões como a Faixa de Gaza e o Sudão, reforçando a gravidade e a disseminação simultânea da crise em diferentes partes do mundo. Além disso, houve uma redução expressiva no financiamento destinado a programas humanitários, com queda próxima de 40% em apenas um ano, o que compromete a capacidade de resposta internacional. Em 2025, mais de 35 milhões de pessoas sofreram desnutrição aguda, sendo que quase 10 milhões se encontravam em estado considerado grave. O presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola da ONU, Álvaro Lário, afirmou que a fome deixou de ser um problema isolado e passou a representar um fator de risco à estabilidade global, refletindo impactos econômicos, sociais e políticos interligados.
O documento também aponta que conflitos armados, mudanças climáticas e eventos como secas prolongadas tendem a agravar ainda mais a situação em países vulneráveis. Em regiões da África, especialmente no oeste do continente e na área semiárida do Sahel, milhões de pessoas convivem diariamente com a insegurança alimentar, influenciadas por guerras, instabilidade econômica e aumento dos preços dos alimentos. Cerca de 4 milhões de nigerianos estão entre os mais afetados. No leste africano, países como Somália e Quênia enfrentam severa escassez de chuvas, o que intensifica a crise alimentar. O relatório também alerta que tensões geopolíticas no Oriente Médio podem impactar o fluxo global de energia e fertilizantes, especialmente em rotas estratégicas como o Estreito de Hormuz, elevando custos de produção e transporte e contribuindo para uma possível alta mundial nos preços dos alimentos.

