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A Polícia Civil e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro deflagraram uma operação para investigar uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes contra empresas do setor financeiro digital, conhecidas como fintechs. De acordo com as apurações, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 322 milhões ao longo de cinco anos, explorando vulnerabilidades nos sistemas dessas plataformas. A ação policial resultou no cumprimento de mandados de prisão em diferentes estados do país, com três dos quatro investigados detidos no Rio de Janeiro e no Maranhão. Um dos principais alvos não foi localizado em sua residência, uma mansão situada em área de alto padrão na capital fluminense. Durante as diligências, os agentes apreenderam veículos de luxo e valores em dinheiro em espécie, indicando possível enriquecimento ilícito por parte dos suspeitos.
As investigações tiveram início em 2021, após a denúncia de uma fintech que relatou prejuízo decorrente de um golpe envolvendo transferências via sistema Pix. Segundo os investigadores, os criminosos exploravam uma falha tecnológica que permitia a realização de transações simultâneas acima do saldo disponível. O esquema consistia em enviar um valor para uma conta controlada pela quadrilha e, em seguida, efetuar quase simultaneamente a devolução do montante ao remetente e o envio de quantia idêntica para uma terceira conta. Dessa forma, os envolvidos conseguiam duplicar valores de maneira fraudulenta. Para ampliar o alcance da fraude, foram abertas centenas de contas com documentos falsificados, sendo que apenas uma das empresas afetadas identificou mais de duas centenas de contas fictícias utilizadas no esquema. Como medida cautelar, a Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 150 milhões em bens ligados aos investigados.
Apesar da complexidade da fraude, as autoridades apontam que os suspeitos não possuíam formação técnica avançada em tecnologia ou atuação no mercado financeiro. Para ocultar os recursos obtidos ilegalmente, a organização utilizava empresas de fachada e realizava investimentos em criptomoedas, dificultando o rastreamento dos valores. Relatórios de inteligência financeira também indicaram movimentações relacionadas a uma empresa previamente investigada por suspeita de esquema de pirâmide financeira, embora a defesa do responsável tenha negado qualquer vínculo com os fatos apurados nesta operação. Até o momento, não houve manifestação formal das defesas dos demais investigados. As autoridades seguem com as investigações, visando identificar outros envolvidos e aprofundar o entendimento sobre a estrutura e o funcionamento do grupo criminoso.

