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A cidade de Ribeirão Preto, no interior paulista, recebeu mais uma edição da Agrishow, considerada uma das maiores feiras de tecnologia agrícola da América Latina. O evento reuniu mais de 800 expositores e atraiu quase 200 mil visitantes ao longo de cinco dias, entre produtores rurais, empresários e profissionais ligados ao agronegócio. O principal objetivo da feira foi apresentar soluções tecnológicas capazes de aumentar a produtividade no campo, reduzir custos de produção e tornar a agricultura mais eficiente e sustentável. Produtores de diferentes regiões do país participaram do encontro em busca de novas ferramentas e equipamentos para aplicar em suas propriedades. Entre eles estava um agricultor vindo do sertão de Pernambuco, que relatou a importância da feira para conhecer tecnologias capazes de melhorar o trabalho no campo e compartilhar essas experiências com outros produtores rurais de sua região. A exposição destacou equipamentos modernos voltados à automação agrícola, pulverização de lavouras, economia de combustível e redução da dependência de insumos importados.
Entre as principais novidades apresentadas estavam drones agrícolas que atuam em conjunto para realizar a pulverização de defensivos agrícolas de forma mais rápida e precisa. Segundo os fabricantes, o uso dessas aeronaves reduz o tempo necessário para aplicação dos produtos e melhora a eficiência do processo em comparação com pulverizadores tradicionais. Em uma demonstração realizada durante a feira, uma área agrícola foi pulverizada em seis horas com o uso de drones, enquanto o mesmo serviço realizado por equipamentos convencionais levou cerca de dez horas. Além do ganho de produtividade, as novas tecnologias também buscam diminuir custos e reduzir desperdícios. Outro destaque foi uma máquina desenvolvida para aplicar vinhaça nas plantações de cana-de-açúcar. A vinhaça é um resíduo resultante da produção de etanol e possui alta concentração de potássio, nutriente importante para a fertilização do solo. O equipamento distribui o material de maneira controlada e eficiente, permitindo reduzir o uso de fertilizantes químicos importados. Atualmente, o Brasil importa aproximadamente 90% dos fertilizantes que consome, cenário que gera preocupação diante das oscilações internacionais de preços e dos impactos causados por conflitos geopolíticos no mercado global de insumos agrícolas.
A feira também apresentou soluções voltadas à redução de custos com combustível e à diminuição da emissão de gases poluentes. Um dos destaques foi um motor de trator movido a etanol, desenvolvido após três anos de testes. Segundo o fabricante, o equipamento oferece autonomia semelhante à dos motores movidos a diesel, combustível que registrou aumento expressivo nos preços nos últimos anos. A proposta é permitir que produtores rurais utilizem combustível produzido no próprio país, reduzindo a dependência de derivados de petróleo e ampliando a sustentabilidade das operações agrícolas. Especialistas afirmam que o uso do etanol pode contribuir para a redução de até 90% na emissão de dióxido de carbono em comparação aos motores tradicionais. O conjunto de tecnologias apresentadas na feira demonstra o avanço da modernização do agronegócio brasileiro e reforça a busca por soluções que combinem aumento de produtividade, redução de custos e menor impacto ambiental. O evento também evidenciou o esforço do setor agrícola para ampliar a eficiência da produção nacional diante dos desafios econômicos e das transformações no mercado global.

