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Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em parceria com a Embrapa, desenvolveram um biodetergente capaz de aumentar o tempo de conservação de frutas e legumes após a colheita. O produto foi criado para combater fungos responsáveis pelo apodrecimento dos alimentos e pode representar um avanço importante na redução do desperdício alimentar. Em testes realizados com laranjas, os cientistas aplicaram fungos diretamente na casca das frutas para avaliar a eficiência da substância. Após dez dias, a maioria das frutas tratadas permaneceu preservada e sem sinais de deterioração. O biodetergente atua formando uma espécie de revestimento protetor na superfície do alimento, dificultando a proliferação dos fungos. Segundo os pesquisadores, a fórmula não utiliza agrotóxicos e funciona alterando a estrutura dos microrganismos, impedindo seu desenvolvimento. O resultado é o aumento da vida útil dos produtos, permitindo que frutas e legumes permaneçam próprios para consumo durante mais tempo. A descoberta pode beneficiar produtores, comerciantes e consumidores, além de reduzir perdas econômicas associadas ao descarte de alimentos deteriorados.
O desenvolvimento do biodetergente começou a partir de uma pesquisa originalmente ligada ao setor petrolífero. Em 2009, um estudo encomendado pela Petrobras levou pesquisadores a identificarem diferentes possibilidades de aplicação para uma substância produzida em laboratório. Com os avanços tecnológicos e novas análises científicas, os pesquisadores perceberam que o material poderia ser adaptado para utilização na conservação de alimentos. A parceria com a Embrapa teve início em 2014, quando o laboratório de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro participou de um edital voltado à pesquisa de soluções para conservação pós-colheita. O objetivo era desenvolver um produto biopesticida inovador para aplicação em frutas após a colheita, algo ainda inexistente no mercado em larga escala. O estudo ganhou destaque internacional e foi publicado recentemente em uma importante revista científica. Agora, os pesquisadores pretendem ampliar os testes para avaliar a eficiência do biodetergente em escala industrial, utilizando sistemas automatizados semelhantes aos empregados nas linhas de produção e distribuição de alimentos.
Os cientistas acreditam que a tecnologia pode gerar impactos significativos na cadeia global de alimentos, reduzindo desperdícios que atualmente causam prejuízos de centenas de bilhões de dólares em todo o mundo. A expectativa é que o aumento da durabilidade das frutas e legumes facilite o transporte, a comercialização e o armazenamento dos produtos, permitindo que eles cheguem em melhores condições ao consumidor final. Além das laranjas, os pesquisadores estudam a aplicação do biodetergente em outras frutas, como goiaba, mamão e morango, além de grãos como soja e feijão. O objetivo é verificar se o produto pode ser utilizado em diferentes culturas agrícolas e ampliar sua contribuição para o combate às perdas pós-colheita. Especialistas destacam que a redução do desperdício de alimentos representa um benefício econômico, ambiental e social, já que evita perdas na produção e melhora o aproveitamento dos recursos naturais utilizados na agricultura. Com investimentos públicos e privados, os pesquisadores acreditam que o biodetergente poderá chegar ao mercado nos próximos cinco anos, oferecendo uma alternativa sustentável e inovadora para conservação de alimentos no Brasil e em outros países.

