MWM MWMW MWM MWMWMW, 01 de Maio
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Clínicas especializadas no atendimento de crianças com transtorno do espectro autista foram alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo após suspeitas de fraudes milionárias envolvendo planos de saúde. As investigações indicam que pelo menos cinco clínicas participavam de um esquema que incluía simulação de atendimentos, emissão de laudos médicos falsificados e cobrança de valores acima dos efetivamente realizados. A ação policial ocorreu na capital paulista e em municípios da região metropolitana, onde foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça. Durante a operação, agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais apreenderam documentos, computadores, celulares e objetos de luxo, como dezenas de relógios de alto valor. Entre os locais investigados estava uma fazenda utilizada como espaço para oferecer parte dos tratamentos destinados às crianças. Segundo os investigadores, o grupo obtinha vantagens financeiras indevidas junto a operadoras de planos de saúde, causando prejuízos que podem alcançar 60 milhões de reais. Apenas uma das clínicas investigadas teria gerado cobranças irregulares estimadas em 17 milhões de reais.



De acordo com a Polícia Civil, o esquema começou a ser investigado há cerca de um ano, após denúncias apresentadas por operadoras de planos de saúde. As apurações apontam que as clínicas simulavam sessões terapêuticas que jamais ocorreram e apresentavam notas fiscais com valores superfaturados. Além disso, laudos médicos adulterados eram utilizados para justificar a ampliação exagerada da carga horária dos tratamentos. Conforme relataram os investigadores, algumas crianças que inicialmente possuíam indicação de poucas horas semanais de terapia passaram a constar em documentos com cargas de até 60 horas de atendimento por semana, número considerado incompatível com a realidade observada em muitos casos. O grupo também utilizaria ações judiciais para obrigar as operadoras a custear tratamentos inexistentes ou realizados em quantidade muito inferior à cobrada. Advogados conseguiam liminares garantindo o pagamento dos procedimentos, enquanto relatórios médicos posteriores ampliavam ainda mais o número de horas autorizadas. A polícia afirma que o esquema explorava brechas no sistema de autorização dos planos de saúde e dificultava a identificação imediata das irregularidades.

A Associação Brasileira de Planos de Saúde declarou que práticas como a simulação de atendimentos e a emissão de laudos falsos comprometem recursos que deveriam ser destinados ao cuidado legítimo dos pacientes. Segundo a entidade, as fraudes impactam diretamente o funcionamento do sistema de saúde suplementar e prejudicam o acesso de beneficiários que realmente necessitam de assistência adequada. A associação também defendeu o fortalecimento de mecanismos de fiscalização e controle para evitar novos casos semelhantes e garantir a correta aplicação dos recursos financeiros. Durante a investigação, a polícia ouviu aproximadamente 20 mães de crianças atendidas pelas clínicas investigadas. Muitas delas afirmaram que levavam os filhos regularmente aos tratamentos, porém não percebiam divergências nas guias assinadas, principalmente em relação à quantidade de horas registradas mensalmente. Os investigadores informaram ainda que os conselhos profissionais das áreas envolvidas deverão ser comunicados oficialmente para que avaliem possíveis infrações éticas e disciplinares. O caso continua sob investigação e poderá resultar em responsabilizações criminais, civis e administrativas contra os envolvidos no esquema.