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Diversos municípios brasileiros têm adotado estratégias para fortalecer o atendimento em saúde mental na rede pública, especialmente na atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa busca capacitar profissionais que já atuam nas unidades de saúde, como agentes comunitários, enfermeiros e assistentes sociais, para identificar e acolher casos leves e moderados de depressão e ansiedade. A medida tem como objetivo reduzir a pressão sobre as filas de espera por atendimento especializado, como psicólogos e psiquiatras, ao mesmo tempo em que garante um primeiro suporte às pessoas que procuram as unidades de saúde com diferentes tipos de queixas.
Um dos casos relatados é o de Lana, que procurou atendimento em uma unidade de saúde ao sentir sintomas como aperto no peito e ansiedade. Após ser acolhida por profissionais treinados, recebeu orientações e acompanhamento inicial, o que contribuiu para a melhora de seu quadro emocional. Esses profissionais, embora não sejam especialistas em saúde mental, passaram por capacitações específicas que incluem aulas teóricas e meses de prática supervisionada por instituições parceiras, como a organização sem fins lucrativos Impulso GOV. Segundo dados apresentados por projetos dessa natureza, parte dos pacientes acompanhados apresenta redução significativa dos sintomas, chegando a melhorias entre 40% e 50%. A proposta central não é substituir o atendimento especializado, mas atuar de forma complementar, prevenindo o agravamento dos casos enquanto o paciente aguarda vaga na rede especializada.
Experiências semelhantes já vêm sendo implementadas em diferentes regiões do país, como em Aracaju e Santos, onde grande parte dos atendidos nunca havia recebido cuidado em saúde mental anteriormente. Profissionais relatam que muitas pessoas chegam às unidades com queixas físicas, mas, ao serem ouvidas com atenção, revelam situações de sofrimento emocional, como luto, conflitos pessoais e mudanças de vida. Para o Conselho Federal de Psicologia, a iniciativa representa um avanço importante, mas ainda depende de maior investimento na ampliação da rede especializada para reduzir filas e garantir continuidade do cuidado. Já o Ministério da Saúde informa que houve aumento significativo de recursos destinados à saúde mental, além da expansão de serviços e da oferta de capacitação contínua para profissionais da atenção básica, reforçando que a gestão do SUS envolve atuação conjunta entre União, estados e municípios para aprimorar o atendimento à população.

