MWM MWMW MWM MWMWMW, 22 de Março
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Um levantamento da Confederação Nacional dos Municípios revelou um crescimento expressivo no número de mortes causadas por desastres naturais no Brasil nos últimos dez anos. De acordo com os dados apresentados, mais de 2.800 pessoas perderam a vida em tragédias climáticas desde 2015, resultado associado ao aumento da intensidade dos eventos extremos registrados no país. Especialistas afirmam que as mudanças climáticas têm provocado chuvas mais fortes, tempestades severas e deslizamentos de terra cada vez mais frequentes. Além disso, fatores estruturais também agravam o problema, como a ocupação irregular de áreas de risco, o crescimento urbano desordenado e a própria característica geográfica brasileira, marcada pela presença de morros e encostas em diversas regiões. Em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, moradores ainda convivem com as marcas deixadas por uma tragédia ocorrida há quatro anos, quando fortes chuvas provocaram deslizamentos que soterraram famílias inteiras. Relatos de sobreviventes e vizinhos mostram que o impacto emocional permanece presente mesmo após anos do desastre. Segundo os especialistas, o cenário demonstra que o país enfrenta um período de alerta permanente diante do avanço das mudanças climáticas e da vulnerabilidade social existente em diversas cidades brasileiras.



Os números levantados pela Confederação Nacional dos Municípios mostram que os desastres naturais atingiram praticamente todo o território nacional nos últimos anos. Desde 2015, ao menos 5.248 municípios brasileiros decretaram situação de emergência ou estado de calamidade pública em razão de enchentes, tempestades, deslizamentos de terra e outros eventos extremos. Esse total representa cerca de 94% das cidades do país, evidenciando a dimensão do problema climático enfrentado pelo Brasil. Somente nas enchentes registradas no fim de fevereiro na Zona da Mata Mineira, 72 pessoas morreram em consequência das fortes chuvas. Para pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o CEMADEN, a tecnologia disponível atualmente permite prever fenômenos climáticos com maior precisão. No entanto, o desafio se tornou maior porque esses eventos passaram a ocorrer com mais frequência e intensidade. Segundo os especialistas, o aumento da temperatura da atmosfera favorece a retenção de umidade, criando condições para chuvas volumosas capazes de provocar enchentes e deslizamentos. Além disso, milhões de brasileiros vivem em áreas consideradas vulneráveis, muitas vezes sem infraestrutura adequada, o que aumenta os riscos de mortes e destruição durante períodos de chuva intensa.

Outro ponto destacado pelos especialistas e representantes municipais é a falta de preparo estrutural das cidades brasileiras para enfrentar os efeitos dos desastres naturais. De acordo com a Confederação Nacional dos Municípios, apenas cerca de 500 municípios possuem alguma estrutura organizada de defesa civil, enquanto aproximadamente 5 mil cidades ainda não contam com equipes, equipamentos ou recursos suficientes para atuar em situações de emergência. Para representantes do setor, a ausência de investimentos contínuos e de integração eficiente entre União, estados e municípios dificulta a implementação de políticas preventivas e ações rápidas diante das tragédias. A entidade afirma que muitas administrações municipais não possuem capacidade financeira para estruturar serviços de defesa civil e ampliar medidas de prevenção. Especialistas alertam que, sem planejamento urbano adequado, fiscalização de áreas de risco e investimentos em infraestrutura, o número de vítimas pode continuar crescendo nos próximos anos. O governo federal foi procurado para comentar a necessidade de expansão das estruturas de defesa civil no país, mas até o momento não houve resposta oficial sobre possíveis medidas ou novos investimentos destinados à prevenção de desastres climáticos no Brasil.