MWM MWMW MWM MWMWMW, 12 de Maio
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O aumento da temperatura do mar provocou uma grave crise na produção de ostras em Florianópolis, afetando diretamente centenas de famílias que dependem da maricultura para sobreviver. A capital catarinense concentra mais de 90% da produção nacional de ostras, atividade desenvolvida principalmente nas baías da região. Cerca de 100 famílias trabalham no cultivo do molusco, considerado uma das principais atividades econômicas ligadas ao setor pesqueiro local. Neste ano, produtores registraram perdas consideradas históricas, com mortalidade de até 80% das ostras que deveriam estar prontas para comercialização. Muitos maricultores afirmam nunca ter enfrentado uma situação semelhante em décadas de trabalho. As ostras cultivadas em Santa Catarina são originárias do Oceano Pacífico e foram adaptadas geneticamente para suportar as condições das águas brasileiras. Mesmo assim, especialistas explicam que a espécie apresenta maior desenvolvimento em temperaturas entre 18 e 24 graus. Durante o verão mais recente, porém, a temperatura da água ultrapassou 33 graus em alguns períodos, provocando forte estresse fisiológico nos animais e elevando drasticamente a mortalidade nas fazendas marinhas da região.



De acordo com pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, o verão de 2026 apresentou um comportamento incomum, marcado pela permanência contínua de temperaturas elevadas na água do mar. Técnicos observaram aumento na frequência de períodos com temperaturas superiores a 28 graus, cenário considerado extremamente prejudicial para o cultivo de ostras. Especialistas explicam que, acima de 24 graus, os animais já começam a apresentar sinais de estresse fisiológico, tornando-se mais vulneráveis à mortalidade. Historicamente, os produtores catarinenses conviviam com perdas naturais que variavam entre 20% e 30% durante os meses mais quentes do ano. Entretanto, os índices registrados atualmente superaram muito essa média, causando prejuízos econômicos severos. Alguns produtores precisaram reduzir jornadas de trabalho e demitir funcionários devido à queda drástica na produção. Em determinadas fazendas marinhas, o estoque praticamente desapareceu, comprometendo o abastecimento do mercado local. No Mercado Público de Florianópolis, comerciantes relatam falta de ostras há várias semanas, reflexo direto da redução da oferta provocada pela mortalidade em massa registrada nas áreas de cultivo.

Além de afetar as ostras prontas para consumo, o aquecimento da água também comprometeu as sementes utilizadas para a próxima safra, aumentando a preocupação dos produtores sobre o futuro da atividade. Em algumas propriedades, as perdas das novas sementes já ultrapassam 50%, ameaçando a produção prevista para os próximos meses. Pesquisadores alertam que ainda não é possível afirmar cientificamente que o aumento das temperaturas se tornou uma tendência permanente, pois seriam necessários pelo menos 20 anos de monitoramento contínuo para comprovar alterações climáticas de longo prazo na região. Mesmo assim, especialistas e maricultores demonstram preocupação com a repetição frequente desses episódios extremos. Muitos produtores esperam que avanços científicos permitam o desenvolvimento de variedades de ostras mais resistentes ao calor, capazes de suportar o aquecimento gradual das águas costeiras. Enquanto isso, a maricultura catarinense enfrenta incertezas sobre a continuidade da produção, em um cenário de mudanças climáticas que já começam a gerar impactos econômicos, ambientais e sociais importantes no litoral brasileiro.