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O Brasil registrou aumento da inadimplência em fevereiro, com mais empresas e famílias deixando de pagar dívidas por mais de 90 dias. O crescimento atinge principalmente as chamadas operações de crédito livre, modalidade em que bancos definem taxas de juros e prazos. Nesse segmento, a inadimplência chegou a 5,5% tanto para pessoas físicas quanto para empresas, refletindo um cenário de maior dificuldade financeira em meio a juros elevados. A taxa média de juros dessas operações alcançou 48,6% ao ano, enquanto no caso das famílias o custo do crédito chegou a cerca de 62% ao ano, impulsionado sobretudo pelo uso do rotativo do cartão de crédito. O saldo total do crédito livre atingiu 4,1 trilhões de reais, com crescimento de 7,7% em 12 meses, e os empréstimos às famílias aumentaram 11% no mesmo período.
Esse cenário de endividamento elevado se relaciona com a manutenção da taxa básica de juros em patamar alto, fixada em 14,75% ao ano, medida utilizada pelo Banco Central para conter a inflação. Apesar disso, o acesso ao crédito continua em expansão, especialmente entre famílias que recorrem a empréstimos para equilibrar o orçamento mensal. Um dos principais instrumentos utilizados é o cartão de crédito, que em fevereiro movimentou 702 bilhões de reais em compras à vista e parceladas, configurando o terceiro maior valor da série histórica. Em muitos estabelecimentos, a maioria das vendas ocorre por meio de crédito parcelado, o que facilita o consumo imediato, mas também aumenta o risco de endividamento prolongado. Nesse contexto, parte da população recorre a múltiplos empréstimos simultâneos para cobrir despesas básicas, como aluguel, alimentação e contas essenciais, evidenciando fragilidade na organização financeira doméstica.
Especialistas apontam que o aumento da busca por crédito não está necessariamente ligado à aquisição de bens duráveis, mas à tentativa de manter o padrão de vida diante do encarecimento do custo de vida e da perda de renda em períodos de desemprego ou instabilidade. Casos individuais ilustram esse comportamento, com famílias recorrendo a diferentes instituições financeiras e contraindo novas dívidas para pagar compromissos anteriores, muitas vezes por meio de operações realizadas de forma rápida e digital. Economistas alertam que essa dinâmica pode levar ao descontrole do orçamento familiar, já que muitas decisões de crédito são tomadas com base apenas no valor da parcela mensal, sem avaliação do impacto total da dívida sobre a renda. Diante desse cenário, reforça-se a necessidade de planejamento financeiro mais rigoroso, com análise detalhada do comprometimento da renda e cautela na contratação de novos empréstimos, como forma de evitar o agravamento da inadimplência no país.

