-
A partir do próximo ano, novos prédios públicos federais no Brasil deverão seguir critérios mínimos de eficiência energética definidos pelo Ministério de Minas e Energia. A medida faz parte de uma política voltada à redução dos impactos ambientais e ao incentivo do uso racional da eletricidade em edificações públicas e privadas. Entre os objetivos da iniciativa estão a diminuição do desperdício de energia, a redução dos custos operacionais e o fortalecimento de práticas sustentáveis na construção civil. Em Brasília, o arquivo central do Superior Tribunal de Justiça já passou por adaptações voltadas à eficiência energética. O prédio, responsável pelo armazenamento de aproximadamente 50 mil caixas de documentos históricos e processos judiciais, foi reformado utilizando materiais e sistemas projetados para economizar energia. Como o ambiente de arquivo não pode ter janelas para preservar os papéis, foram adotadas soluções específicas para reduzir o consumo elétrico, como iluminação setorizada com interruptores identificados. Dessa forma, apenas a área necessária é iluminada durante o uso, evitando desperdícios e diminuindo os gastos com eletricidade.
A nova regulamentação estabelece uma classificação de eficiência energética que varia da nota A, considerada a mais eficiente, até a nota E. Embora esse sistema já exista atualmente, a adesão ainda é voluntária em muitos casos. O cronograma prevê que a exigência seja ampliada gradualmente até 2040, alcançando cidades com mais de 50 mil habitantes e abrangendo prédios públicos federais, estaduais e municipais, além de construções privadas residenciais e comerciais. Entre as soluções recomendadas para melhorar o desempenho energético estão sensores de presença para iluminação, uso de lâmpadas LED em áreas comuns e instalação de painéis solares fotovoltaicos. Segundo o Ministério de Minas e Energia, residências, comércios e prédios públicos representam mais da metade do consumo de energia elétrica do país. A expectativa do governo é que as novas medidas permitam economia de quase 3 milhões de megawatts-hora até 2040 apenas nas edificações públicas. Esse volume seria suficiente para abastecer todas as residências do Distrito Federal durante aproximadamente um ano inteiro.
Instituições públicas de ensino também vêm adotando práticas sustentáveis antes mesmo da obrigatoriedade prevista na nova regulamentação. Na Universidade de Brasília, alguns prédios foram construídos considerando estratégias para reduzir o calor interno e diminuir a necessidade de ar-condicionado, um dos principais responsáveis pelo alto consumo de energia em grandes edifícios. A orientação dos prédios, o uso de estruturas de alumínio chamadas brises e a instalação de painéis solares ajudaram a reduzir significativamente os custos mensais de eletricidade da instituição. Segundo representantes da universidade, a conta de energia caiu de cerca de 90 mil reais para aproximadamente 5 mil reais por mês em determinados espaços do campus. Especialistas destacam que os benefícios da eficiência energética vão além da economia financeira, pois contribuem também para reduzir a pressão sobre os sistemas de geração e transmissão de energia do país. A diminuição do consumo nos horários de maior demanda ajuda a evitar sobrecargas no sistema elétrico nacional e favorece uma utilização mais equilibrada dos recursos energéticos disponíveis.

