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Uma pesquisa recente aponta que uma em cada cinco gestantes no Brasil não consegue completar o número mínimo recomendado de consultas de pré-natal, etapa considerada essencial para o acompanhamento da saúde da mãe e do bebê durante a gravidez. Esse acompanhamento inclui consultas regulares com médicos e enfermeiros, realização de exames e monitoramento do desenvolvimento gestacional. Um exemplo de adesão adequada é o caso de uma gestante que se mudou de Marabá, no Pará, para São Paulo e deu continuidade ao pré-natal na unidade básica de saúde local. Segundo seu relato, o acompanhamento ocorre de forma ativa, com visitas domiciliares e ligações feitas por profissionais de saúde sempre que há ausência nas consultas. Na nova unidade, ela já ultrapassou o número mínimo de atendimentos recomendados pelo Ministério da Saúde, que desde 2024 estabelece ao menos sete consultas ao longo da gestação.
Apesar de casos como esse, o estudo realizado pelo Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas revela um cenário de desigualdade no acesso ao pré-natal no país. A pesquisa analisou dados de mais de 2,5 milhões de nascimentos ocorridos em 2023 e identificou que 78% das gestantes conseguem realizar o número recomendado de consultas, enquanto 22% não atingem o mínimo estabelecido. Os pesquisadores destacam que o sistema de saúde consegue identificar a maioria das gestantes, porém nem todas conseguem manter o acompanhamento completo até o final da gravidez. O estudo também aponta que o aumento do rigor nas recomendações evidencia ainda mais as desigualdades sociais, já que determinados grupos populacionais têm mais dificuldade para cumprir todas as etapas do pré-natal.
Entre os principais fatores associados à interrupção do acompanhamento estão baixa escolaridade, diferenças regionais e vulnerabilidades sociais. Enquanto 86% das mulheres com maior nível de instrução conseguem completar as sete consultas, menos da metade das mulheres sem escolaridade atinge esse número. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentam os menores índices de cobertura, e entre mulheres indígenas pouco mais da metade conclui o pré-natal. Já entre mulheres pretas e pardas, cerca de três em cada quatro conseguem realizar o acompanhamento completo, enquanto entre gestantes com menos de 20 anos o índice é de 68%. Especialistas reforçam que o pré-natal adequado é fundamental para reduzir riscos à saúde, pois permite a identificação precoce de complicações e aumenta as chances de um parto seguro. O Ministério da Saúde informa que mantém programas voltados à ampliação do acesso e à redução das desigualdades no atendimento materno-infantil, especialmente entre populações mais vulneráveis.

