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A Organização das Nações Unidas (ONU) manifestou preocupação com o uso de recursos naturais como instrumentos de guerra no atual cenário de conflito no Oriente Médio. Além do petróleo, tradicionalmente associado a disputas geopolíticas, a entidade alertou para o risco crescente de a água tornar-se um elemento central nas estratégias de confronto. Historicamente considerada um recurso essencial à sobrevivência humana, a água ganha ainda mais relevância em regiões com escassez hídrica, como os países do Golfo Pérsico. Nessas localidades, caracterizadas por clima desértico e ausência de fontes naturais abundantes, a maior parte da água potável é obtida por meio de usinas de dessalinização, que transformam água do mar em água própria para consumo. Essas instalações, embora protegidas pelo direito internacional em situações de conflito, já passaram a ser alvo de ataques, elevando o risco de agravamento das condições humanitárias.
Relatos recentes indicam que duas dessas usinas foram atingidas durante confrontos, com acusações mútuas entre países envolvidos. Um dos episódios teria comprometido o abastecimento de água para dezenas de comunidades, evidenciando o impacto direto sobre a população civil. A Organização Mundial da Saúde acompanha atentamente os desdobramentos desses घटनos, uma vez que a interrupção do fornecimento de água pode desencadear crises sanitárias e ampliar a vulnerabilidade das populações locais. Especialistas em segurança hídrica destacam que, mesmo antes da intensificação do conflito, diversos países da região já enfrentavam dificuldades no abastecimento. Em alguns casos, como no Irã, havia risco iminente de esgotamento das reservas disponíveis, cenário conhecido como “dia zero”. A dependência dessas usinas é significativa, tanto para o consumo doméstico quanto para a produção agrícola, o que torna qualquer dano à infraestrutura um fator de risco para a segurança alimentar.
Dados recentes indicam que países como Kuwait, Arábia Saudita e Catar obtêm grande parte de sua água potável por meio da dessalinização, com percentuais que chegam a 90%, 70% e 60%, respectivamente. Autoridades internacionais e analistas alertam que ataques a instalações essenciais, como sistemas de tratamento de água e armazenamento de alimentos, podem desencadear uma grave crise humanitária. Há também o entendimento de que a água pode assumir um papel ainda mais estratégico do que o próprio petróleo no contexto geopolítico da região, devido à sua natureza indispensável à vida. Estudos anteriores já indicavam essa tendência, apontando que, embora o petróleo possua elevado valor econômico, a água representa um recurso vital para a estabilidade social e o bem-estar das populações. Dessa forma, o agravamento do conflito e a possibilidade de novos ataques a infraestruturas hídricas elevam significativamente o risco de consequências humanitárias de grande escala.

