MWM MWMW MWM MWMWMW, 16 de Maio
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No Rio Grande do Sul, uma situação envolvendo o descarte de livros didáticos do Programa Nacional do Livro Didático tem chamado a atenção pelo desperdício de material educacional adquirido com recursos públicos. Em escolas da cidade de Capão da Canoa, exemplares novos e sem uso estão sendo enviados para galpões de reciclagem, onde acabam triturados para a fabricação de papel higiênico. Um vigilante de uma escola pública registrou a chegada de uma van dos Correios carregada com dezenas de pacotes de livros didáticos, muitos deles ainda lacrados. Segundo relatos de funcionários, algumas escolas não possuem mais espaço físico para armazenar o grande volume de material recebido. Corredores e bibliotecas foram ocupados por pilhas de livros de disciplinas como matemática, português, geografia e ciências humanas. Parte do material permaneceu tanto tempo guardada que acabou vencendo, tornando-se inutilizável para as atividades em sala de aula. O cenário expõe falhas no planejamento da distribuição e na administração do material didático destinado às instituições de ensino da rede pública.



Os livros descartados são recolhidos por empresas de reciclagem que oferecem pequenas quantias em dinheiro às escolas em troca do material vencido. Em um galpão localizado no município de Montenegro, no interior do estado, é possível encontrar milhares de exemplares nunca utilizados, separados para serem triturados e reaproveitados pela indústria de papel. Durante a apresentação do material recebido, um responsável pela coleta mostrou pacotes contendo livros ainda em perfeito estado de conservação, embora já considerados fora da validade para uso escolar. Educadores e profissionais ligados à área da educação destacam que, apesar do valor financeiro individual de cada livro parecer pequeno, o material representa um importante instrumento de aprendizagem e formação dos estudantes. O problema se torna ainda mais grave diante da realidade enfrentada por outras escolas da mesma região, que relatam falta de livros em disciplinas essenciais como química, física, biologia e matemática. Em diversos casos, o material recebido não corresponde às necessidades informadas pelas instituições de ensino, gerando excesso de exemplares de algumas áreas e ausência de outras consideradas fundamentais para o desenvolvimento das atividades pedagógicas.

A consequência imediata dessa desorganização afeta diretamente o processo de aprendizagem dos alunos e provoca desperdício de dinheiro público. Sem livros suficientes em determinadas disciplinas, professores precisam copiar grande parte do conteúdo no quadro, reduzindo o tempo disponível para explicações e atividades em sala de aula. O Ministério da Educação, responsável pela aquisição e distribuição dos livros didáticos, informou que o envio do material é realizado com base nos dados escolares do ano anterior e nas solicitações feitas pelas próprias instituições de ensino. O órgão também afirmou que desenvolve estudos para reduzir desperdícios e melhorar a distribuição, mas não apresentou esclarecimentos detalhados sobre o excesso de livros enviados ao Rio Grande do Sul. Já a Controladoria-Geral da União declarou que acompanha a execução do programa por meio de auditorias realizadas desde 2019. O caso evidencia problemas de planejamento e logística em um dos principais programas educacionais do país, revelando um contraste preocupante entre escolas que acumulam livros sem uso e outras que enfrentam escassez de material didático indispensável para o ensino.