-
Os impactos da guerra envolvendo o Irã já começaram a afetar diretamente os custos do transporte de cargas no Brasil, principalmente por causa da alta no preço do diesel. Segundo entidades do setor de logística e transporte rodoviário, o aumento do combustível vem provocando reajustes nos valores dos fretes em diferentes regiões do país. Em alguns locais, o preço do diesel já registra aumentos expressivos, chegando a até 50%, dependendo da região e das condições de abastecimento. Como o combustível representa uma das maiores despesas das transportadoras, podendo atingir metade dos custos operacionais, o reflexo no valor final do frete tornou-se inevitável. Empresas do setor afirmam que o cenário internacional gerou forte instabilidade no mercado de combustíveis, obrigando companhias de transporte a recalcular contratos e repassar parte dos custos aos clientes. Em uma transportadora localizada em Guarulhos, por exemplo, o reajuste no valor do frete já chegou a 12%. Representantes do setor explicam que muitos clientes reclamam dos novos preços, mas destacam que o aumento acompanha a elevação generalizada dos custos de operação em todo o mercado logístico brasileiro.
A dependência do transporte rodoviário no Brasil amplia ainda mais os efeitos da alta do diesel sobre a economia. Atualmente, cerca de 60% de toda a carga transportada no país circula pelas rodovias, fazendo com que qualquer aumento no combustível afete diretamente o preço de produtos e serviços. Alimentos, eletrodomésticos, produtos agrícolas e mercadorias de consumo diário dependem dos caminhões para chegar aos centros urbanos e aos consumidores finais. Especialistas apontam que, quando o frete sobe, empresas de diversos setores acabam incorporando esse custo às planilhas financeiras, o que pode resultar em aumento nos preços ao consumidor. O impacto já começou a atingir também o agronegócio brasileiro. A Companhia Nacional de Abastecimento, conhecida como Conab, informou que precisou cancelar contratos de frete devido ao aumento do diesel e passou a reavaliar outros acordos individualmente. A medida busca evitar prejuízos maiores e garantir a continuidade do transporte de grãos e produtos agrícolas. Segundo a companhia, os ajustes têm como objetivo manter o funcionamento do Programa de Venda em Balcão, iniciativa que oferece acesso de pequenos produtores rurais aos estoques públicos de produtos agrícolas administrados pelo governo federal.
informou que todas as refinarias do país estão operando com capacidade máxima para atender à demanda interna de combustíveis. A estatal declarou ainda que antecipou entregas previstas para o mês de março e que o volume fornecido às distribuidoras está até 15% acima do inicialmente negociado. Segundo a empresa, todos os compromissos comerciais continuam sendo cumpridos normalmente. Mesmo assim, especialistas avaliam que o cenário permanece instável e depende diretamente da evolução do conflito no Oriente Médio. Quanto maior for a duração da crise internacional, maiores poderão ser os impactos sobre os combustíveis e, consequentemente, sobre o transporte e o custo de vida no Brasil. O setor de logística alerta que a volatilidade do mercado internacional dificulta o planejamento financeiro das empresas e aumenta a insegurança sobre novos reajustes nos próximos meses. Economistas também observam que a alta dos fretes pode gerar reflexos em toda a cadeia produtiva nacional, pressionando preços e contribuindo para o aumento da inflação em diversos segmentos da economia brasileira.

