MWM MWMW MWM MWMWMW, 15 de Maio
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Um levantamento inédito realizado pelo MapBiomas revelou que incêndios e desmatamento vêm provocando um aumento significativo da fragmentação da vegetação nativa brasileira ao longo das últimas décadas. O estudo analisou o período entre 1986 e 2023 e demonstrou que áreas naturais contínuas estão sendo divididas em pequenos fragmentos isolados, situação que aumenta a vulnerabilidade dos biomas do país. Esses fragmentos funcionam como pequenas “ilhas” de vegetação cercadas por regiões degradadas, consequência direta da retirada de cobertura vegetal causada por queimadas, expansão agropecuária e outras atividades humanas. Segundo especialistas, a fragmentação compromete o equilíbrio ambiental, reduzindo a biodiversidade e enfraquecendo serviços ecossistêmicos importantes, como a regulação climática, a conservação da água e a proteção do solo. Além dos impactos ambientais, o problema também afeta diretamente a qualidade de vida da população, inclusive nos centros urbanos, devido às alterações climáticas e à perda de recursos naturais.



Os dados apontam que o número de áreas fragmentadas mais do que dobrou no Brasil em quase quatro décadas. Em 1986, o país possuía cerca de 2,7 milhões de fragmentos de vegetação nativa, enquanto em 2023 esse número chegou a aproximadamente 7,1 milhões, representando um aumento de 160%. O levantamento também identificou uma redução significativa no tamanho médio dessas áreas remanescentes. Os fragmentos, que anteriormente apresentavam média de 241 hectares, passaram a ter cerca de 77 hectares em média, demonstrando o avanço da degradação ambiental sobre os ecossistemas brasileiros. Atualmente, aproximadamente 5% da vegetação nativa do país encontra-se distribuída em pequenos fragmentos, totalizando cerca de 27 milhões de hectares espalhados em áreas relativamente reduzidas. Entre os biomas mais afetados pelo crescimento da fragmentação estão o Pantanal, a Amazônia, o Cerrado, a Caatinga, o Pampa e a Mata Atlântica, evidenciando que o fenômeno ocorre de forma ampla em praticamente todas as regiões brasileiras.

O estudo foi produzido com base em imagens de satélite e ferramentas de inteligência artificial, permitindo uma análise detalhada da evolução da fragmentação ambiental no território nacional. A partir desses dados, os pesquisadores defendem que o monitoramento contínuo das áreas degradadas pode contribuir para a formulação de políticas públicas mais eficientes de conservação e recuperação ambiental. Especialistas ressaltam que interromper o avanço da degradação é economicamente mais viável e ambientalmente mais eficaz do que restaurar áreas já destruídas, embora ambas as estratégias sejam consideradas necessárias. Dessa forma, o levantamento do MapBiomas fornece informações importantes para identificar regiões prioritárias para ações de preservação e restauração, além de reforçar a necessidade de medidas mais rigorosas de combate ao desmatamento e às queimadas, que continuam ameaçando a integridade dos biomas brasileiros e a manutenção da biodiversidade nacional.