MWM MWMW MWM MWMWMW, 28 de Março
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A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apresentou um panorama preocupante sobre a saúde física e emocional dos adolescentes brasileiros. O levantamento ouviu mais de 12 milhões de estudantes entre 13 e 17 anos das redes pública e privada e revelou um crescimento de situações relacionadas à violência, sofrimento emocional e comportamentos de risco. Entre os dados mais alarmantes está o aumento dos casos de bullying, relatado por quase 30% dos entrevistados. O cyberbullying, praticado pela internet e pelas redes sociais, atingiu aproximadamente 13% dos jovens. Os principais motivos das agressões envolvem aparência física, cabelo, corpo, cor da pele e raça. Além disso, quase um terço dos estudantes afirmou sentir insatisfação com a própria imagem corporal, demonstrando como a pressão estética e social afeta diretamente a autoestima dos adolescentes. A pesquisa também identificou sinais graves de sofrimento psicológico. Entre as meninas, uma em cada quatro declarou acreditar que a vida não vale a pena ser vivida, índice mais do que o dobro do registrado entre os meninos. Outro dado preocupante está relacionado à violência sexual: quase 20% dos estudantes disseram já ter sofrido assédio, enquanto cerca de 9% relataram terem sido forçados a manter relações sexuais contra a própria vontade.



O estudo também analisou o consumo de substâncias entre adolescentes e apontou mudanças importantes nos hábitos dos jovens brasileiros. O uso de cigarros eletrônicos cresceu de forma significativa nos últimos anos, passando de 16% em 2019 para quase 30% em 2024 entre estudantes de 13 a 17 anos. Mesmo proibido no Brasil, o produto vem se espalhando rapidamente em todas as regiões do país, principalmente por ser apresentado em versões com sabores e aromas que atraem o público jovem. Enquanto isso, o consumo do cigarro tradicional apresentou redução, caindo de 22% para 18% no mesmo período. Especialistas afirmam que muitos adolescentes deixaram o cigarro comum e o narguilé para adotar o cigarro eletrônico, criando uma nova forma de dependência ligada à nicotina. A preocupação dos profissionais de saúde é que o uso frequente desses dispositivos provoque danos respiratórios, cardiovasculares e aumento do risco de vício ainda na adolescência. Os pesquisadores destacam que a conscientização nas escolas, nas famílias e nas redes sociais é considerada uma das principais estratégias para combater o avanço desse hábito. Também defendem a criação de políticas públicas mais rígidas para fiscalização e prevenção, principalmente diante da facilidade de acesso ao produto por menores de idade.

Outro tema que chamou atenção na pesquisa foi o consumo de bebidas alcoólicas entre adolescentes. Apesar de os índices terem apresentado uma pequena redução nos últimos anos, mais da metade dos estudantes entrevistados afirmou já ter consumido álcool alguma vez na vida. O dado reforça a preocupação de especialistas em saúde pública, que alertam para os impactos físicos, emocionais e sociais causados pelo contato precoce com bebidas alcoólicas e outras drogas. Em algumas escolas brasileiras, projetos de educação socioemocional têm sido utilizados para promover debates sobre cidadania, saúde mental, dependência química e prevenção de comportamentos de risco. Essas atividades buscam oferecer informações confiáveis aos estudantes, com orientação de profissionais especializados, ajudando os jovens a reconhecer perigos e a procurar ajuda quando necessário. Educadores afirmam que muitos adolescentes ainda acreditam que problemas relacionados ao vício e à saúde mental estão distantes da própria realidade, mas acabam percebendo, com o tempo, que essas situações fazem parte do cotidiano de muitas famílias e comunidades. A pesquisa do IBGE evidencia que os desafios enfrentados pela juventude brasileira vão além do ambiente escolar e exigem ações integradas entre governo, escolas, famílias e sociedade para garantir proteção, acolhimento e melhores condições de desenvolvimento físico, emocional e social para os adolescentes.