-
As forças de segurança realizaram, no Rio de Janeiro, duas operações simultâneas que resultaram na prisão de 18 agentes públicos, entre policiais civis, militares e penais, investigados por envolvimento com corrupção e ligação com o crime organizado. Uma das ações foi conduzida pela Polícia Federal e corresponde à segunda fase de uma investigação que apura a atuação de agentes públicos em esquemas ilegais. Entre os alvos está um policial civil preso em um imóvel de alto padrão na Barra da Tijuca, cuja movimentação financeira seria incompatível com os rendimentos declarados. Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos valores em dinheiro, aparelhos celulares e armamentos. A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e incluiu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão.
As investigações indicam que policiais civis estariam envolvidos na prática de extorsão contra integrantes de organizações criminosas, exigindo pagamentos ilegais em troca de proteção ou facilitação de atividades ilícitas. De acordo com as apurações, esses agentes utilizavam intermediários para manter contato com criminosos, evitando exposição direta. Entre os presos estão também um delegado com longa trajetória na corporação e outro policial civil, além de um suspeito já detido anteriormente por envolvimento com o tráfico. Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, extorsão e lavagem de dinheiro. Na fase anterior da operação, já haviam sido cumpridos outros mandados, incluindo a prisão de um delegado da Polícia Federal.
Paralelamente, uma segunda operação foi realizada pelo Ministério Público estadual, com foco na atuação de agentes de segurança vinculados ao jogo do bicho na região de Bangu. Nessa ação, foram cumpridos 19 mandados de prisão, com o apoio das corregedorias das corporações envolvidas. Até o fim da manhã, 15 pessoas haviam sido presas, além da apreensão de armamento de uso restrito. Os suspeitos são acusados de integrar uma organização criminosa armada e de praticar atos de corrupção. As instituições destacaram que não toleram desvios de conduta e informaram que os envolvidos também responderão a processos administrativos e disciplinares. As defesas de parte dos investigados não foram localizadas ou ainda não tiveram acesso integral às decisões judiciais que embasaram as prisões.

