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Uma operação da Polícia Civil do Tocantins desarticulou um esquema criminoso especializado na invasão de sistemas públicos para o roubo e comercialização de dados sigilosos. As investigações apontam que o grupo criminoso atuava há cerca de sete anos e movimentou aproximadamente seis milhões de reais durante esse período. Dois suspeitos foram presos, entre eles o homem apontado como líder da organização, identificado como Lincoln Diego Pereira, conhecido pelo apelido de “Fantasma Digital”. Segundo os investigadores, o suspeito havia fugido do Brasil e estava escondido em Salto del Guairá, no Paraguai, onde foi localizado pelas autoridades. A operação revelou que os criminosos utilizavam técnicas avançadas de ataques virtuais para obter acesso indevido a plataformas ligadas à segurança pública e a outros órgãos governamentais. A investigação também identificou a existência de uma estrutura organizada para armazenar e vender informações sigilosas obtidas ilegalmente por meio das invasões digitais.
De acordo com a Polícia Civil, o golpe começava com ataques conhecidos como phishing, prática em que criminosos enviam mensagens eletrônicas falsas para enganar as vítimas. Os suspeitos encaminhavam e-mails que imitavam comunicações oficiais de instituições públicas e continham links maliciosos. Quando os policiais clicavam nesses links, os dispositivos eram infectados, permitindo o roubo de credenciais de acesso aos sistemas internos. A partir dessas informações, os criminosos conseguiam entrar em plataformas governamentais e consultar dados sigilosos. As investigações apontam que os acessos eram mascarados para dificultar o rastreamento da origem dos ataques. Os suspeitos utilizavam endereços de IP que simulavam conexões vindas de países da Europa, Ásia, Oriente Médio e América do Norte. Em apenas um mês, foram registradas mais de 20 mil consultas ilegais aos sistemas da segurança pública do Tocantins. Além dos dados de policiais civis tocantinenses, os criminosos também obtiveram informações sigilosas de agentes do Amazonas, Piauí, Paraná e Maranhão, além de acessarem sistemas vinculados a órgãos de trânsito.
As autoridades informaram que um segundo suspeito foi preso por supostamente administrar o site utilizado para comercializar os dados roubados. A plataforma clandestina seria responsável pela venda ilegal de informações sigilosas obtidas durante as invasões. A Secretaria de Segurança Pública do Tocantins declarou que os servidores afetados foram orientados a alterar imediatamente suas senhas e reforçar os mecanismos de proteção digital. O órgão também informou que implementou alertas de segurança e mantém monitoramento contínuo dos sistemas para reduzir riscos de novos ataques cibernéticos. A investigação segue em andamento para identificar outros possíveis integrantes da organização criminosa e avaliar a dimensão total do vazamento de dados. Até o momento, a defesa de Lincoln Diego Pereira não havia sido localizada para comentar as acusações. O caso chama atenção para o aumento das ameaças virtuais contra órgãos públicos e para a necessidade de fortalecer políticas de segurança digital e proteção de informações sensíveis no país.

