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Criadores independentes de suínos do Alto Paranaíba, em Minas Gerais, enfrentam um período de forte dificuldade econômica devido ao aumento dos custos de produção e à queda no valor pago pela carne suína. Em propriedades da região, milhares de animais são mantidos em fase de engorda até atingirem o peso ideal para o abate, processo que pode levar cerca de 165 dias. Apesar do elevado investimento necessário para manter a atividade, produtores afirmam que o valor recebido atualmente pela venda dos animais está abaixo do custo de produção. Enquanto o quilo do suíno vivo vem sendo comercializado por valores próximos de R$ 5,70 ou R$ 5,80, os gastos para produzir chegam a quase R$ 7 por quilo. A diferença negativa entre despesas e faturamento tem gerado prejuízos e preocupação entre os criadores, que relatam dificuldades para manter as granjas em funcionamento. Muitos produtores afirmam que a situação atual é uma das mais difíceis dos últimos anos, especialmente porque os custos com alimentação animal, energia, medicamentos e manutenção continuam elevados mesmo com a queda no preço da carne suína.
O cenário atual é bastante diferente do registrado no mesmo período do ano anterior, quando os produtores mineiros recebiam valores significativamente maiores pela comercialização dos suínos. Diante da redução da rentabilidade, diversos criadores precisaram recorrer a empréstimos bancários para garantir a continuidade da produção e manter a alimentação diária dos animais. Entretanto, as altas taxas de juros aumentam ainda mais o endividamento do setor e dificultam a recuperação financeira das granjas. Especialistas apontam que a crise é consequência principalmente do aumento da produção nacional de suínos, que gerou excesso de oferta no mercado interno. Ao mesmo tempo, o consumo da carne suína não cresceu na mesma proporção, provocando desequilíbrio entre oferta e demanda. Esse cenário tem reduzido as margens de lucro dos produtores e causado insegurança em relação aos próximos meses. Em cidades como Patos de Minas, produtores relatam preocupação semelhante e afirmam que, mesmo mantendo o ritmo de comercialização semanal de centenas de animais, ainda não conseguem cobrir totalmente os custos da atividade.
Apesar das dificuldades enfrentadas pela suinocultura mineira, alguns produtores acreditam em uma possível melhora gradual do mercado nos próximos meses. Um dos fatores que traz expectativa positiva é a redução recente no preço do milho, principal componente da ração utilizada na alimentação dos animais. Com a queda no custo desse insumo, os criadores esperam diminuir parcialmente as despesas de produção e reduzir os prejuízos acumulados ao longo do ano. Além disso, representantes do setor destacam que a chegada do período de temperaturas mais baixas costuma aumentar o consumo de carne suína no mercado interno, especialmente em pratos típicos consumidos durante o inverno. Essa possível elevação da demanda pode contribuir para o equilíbrio entre oferta e consumo e favorecer uma recuperação nos preços pagos aos produtores. Mesmo assim, os criadores afirmam que continuam trabalhando com cautela e preocupação, já que o setor depende de estabilidade econômica e de condições favoráveis de mercado para recuperar a rentabilidade. A situação evidencia os desafios enfrentados pela cadeia produtiva da suinocultura e a necessidade de estratégias que garantam maior sustentabilidade financeira aos pequenos e médios produtores rurais.

