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Uma pesquisa divulgada recentemente no Brasil evidenciou as dificuldades enfrentadas por pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) para conseguir atendimento adequado na rede pública de saúde. O caso do menino Theo, de quatro anos, ilustra essa realidade. Diagnosticado no ano anterior, ele teve sinais percebidos pela mãe, Jussara, ainda aos seis meses de idade, mas encontrou grande barreira para acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em dois anos de tentativas, conseguiu apenas uma consulta pediátrica, sem continuidade de acompanhamento. Segundo o relato, mesmo após buscar a unidade básica de saúde da família, considerada porta de entrada para o cuidado, não houve oferta de suporte regular, e um exame solicitado pela pediatria em 2023 nunca chegou a ser realizado. O diagnóstico formal só foi obtido por meio da rede privada, com apoio do plano de saúde do pai, que posteriormente perdeu o emprego, fazendo com que a família retornasse integralmente à dependência do SUS.
Ainda conforme o relato, após o diagnóstico, Theo recebeu encaminhamentos para diferentes especialidades, como fonoaudiologia, nutrição, psicologia e reabilitação, porém não houve chamada ou início de terapias na rede pública. A mãe relata preocupação com a regressão do desenvolvimento da criança, especialmente na fala e na coordenação motora, que vinha apresentando avanços antes da interrupção dos atendimentos. Especialistas ouvidos na pesquisa apontam que a falta de acompanhamento contínuo impacta diretamente a evolução de crianças com TEA, já que as terapias multidisciplinares são fundamentais para o desenvolvimento de autonomia e comunicação. O estudo também destaca que o diagnóstico tardio ou inexistente compromete o acesso a direitos básicos, como adaptações escolares e suporte familiar adequado.
Os dados fazem parte do levantamento “Mapa Autismo Brasil”, apresentado em Brasília, que reuniu informações de quase 24 mil pessoas autistas ou cuidadores em todas as unidades da federação. Segundo o estudo, apenas cerca de 20% dos diagnósticos de TEA são realizados pelo SUS, o que evidencia uma limitação estrutural na identificação precoce dos casos. O levantamento ainda indica que somente 15% das pessoas diagnosticadas conseguem acesso regular a terapias essenciais, como fonoaudiologia e terapia ocupacional, devido à escassez de profissionais na rede pública. O relatório também contextualiza que, segundo estimativas do IBGE, o Brasil possui aproximadamente 2,4 milhões de pessoas com TEA. Enquanto isso, famílias como a de Jussara relatam viver uma rotina de cuidados intensivos e contínuos, sem apoio suficiente do sistema público, enfrentando longas esperas e ausência de acompanhamento especializado mesmo após o diagnóstico confirmado.

