-
Um levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontou aumento expressivo no preço dos combustíveis no Brasil durante o período de um mês de guerra no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O estudo indica que o diesel foi o combustível mais afetado, acumulando alta de 23,5% no período analisado. Em média, o consumidor passou a pagar cerca de R$ 1,42 a mais por litro em comparação com o valor registrado antes do início do conflito. A gasolina comum também apresentou elevação, ainda que menor, enquanto o etanol teve variação mais discreta. Mesmo sem reajustes diretos nas refinarias, os efeitos do cenário internacional acabaram sendo repassados ao consumidor final nos postos de combustíveis.
Os dados divulgados pela ANP mostram a evolução dos preços semana a semana desde o início do conflito, evidenciando uma tendência de alta contínua. A gasolina comum, que custava em média R$ 6,28 antes da guerra, alcançou aproximadamente R$ 6,78 no período mais recente analisado. O diesel apresentou oscilações mais intensas, passando de cerca de R$ 6,03 para valores sucessivamente mais altos, até atingir aproximadamente R$ 7,45 por litro. Segundo especialistas em economia, esse aumento está relacionado à instabilidade do mercado internacional de petróleo e às incertezas quanto à duração do conflito, o que pressiona expectativas de preço e influencia toda a cadeia de distribuição de combustíveis.
Economistas explicam que o impacto é mais forte no diesel porque o Brasil depende da importação de parte significativa desse combustível para suprir o consumo interno. Diante desse cenário, especialistas defendem maior fiscalização para coibir possíveis práticas abusivas nos postos, especialmente quando os preços se descolam da realidade de reposição de estoques. A ANP já intensificou ações de fiscalização, vistoriando milhares de postos e centenas de distribuidoras, com aplicação de autos de infração em casos suspeitos de irregularidades. Enquanto isso, motoristas relatam no dia a dia o impacto direto no orçamento, destacando que os aumentos sucessivos acabam sendo sentidos de forma imediata por quem depende do transporte e do abastecimento para suas atividades cotidianas.

