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Uma pesquisa divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) analisou hábitos digitais e aprendizagem infantil em nove países, incluindo o Brasil, e apontou que o uso diário de celulares e tablets por crianças de cinco anos pode estar associado a um desempenho menor em áreas importantes do desenvolvimento. O estudo mostrou que crianças brasileiras que utilizam dispositivos eletrônicos todos os dias apresentam resultados inferiores em habilidades relacionadas à compreensão de números, medidas e vocabulário quando comparadas àquelas que usam esses aparelhos com menos frequência. Os dados também revelam um cenário preocupante em relação aos hábitos de leitura no ambiente familiar, indicando que grande parte das famílias brasileiras raramente realiza atividades de leitura com as crianças em casa.
Segundo a pesquisa, mais da metade das famílias brasileiras praticamente não mantém rotina de leitura, enquanto apenas uma pequena parcela lê para os filhos várias vezes por semana. O levantamento comparou os resultados brasileiros com médias internacionais e identificou diferenças significativas no desempenho educacional das crianças. Além do baixo incentivo à leitura, o estudo observou que cerca de metade das crianças brasileiras de cinco anos utiliza dispositivos eletrônicos diariamente, percentual acima da média registrada entre os países analisados. Especialistas avaliam que o problema não está apenas no uso das telas, mas principalmente na substituição de atividades fundamentais para o desenvolvimento infantil, como brincadeiras, convivência familiar, leitura e experiências sociais, por conteúdos digitais muitas vezes voltados apenas ao entretenimento.
Diante desse cenário, instituições educacionais e organizações sociais têm desenvolvido iniciativas para incentivar hábitos mais saudáveis e fortalecer a relação das crianças com os livros e com as atividades fora das telas. Em alguns espaços voltados ao atendimento infantil, o uso de celulares é evitado e substituído por atividades de leitura, brincadeiras ao ar livre e interação coletiva. Também foram criadas estratégias para aproximar as famílias desse processo, estimulando momentos compartilhados entre pais e filhos longe dos aparelhos eletrônicos. Entre as iniciativas estão kits com livros e atividades educativas levados para casa pelas crianças, promovendo experiências familiares de leitura e convivência. Especialistas destacam que o equilíbrio entre tecnologia e atividades presenciais é essencial para garantir um desenvolvimento infantil mais completo, favorecendo a aprendizagem, a criatividade e a construção de vínculos afetivos.

