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No Pantanal de Mato Grosso do Sul, brigadistas e técnicos ambientais iniciaram a abertura de trilhas estratégicas na região da Serra do Amolar com o objetivo de reforçar a prevenção e o combate aos incêndios florestais antes do período mais crítico de queimadas. Localizada entre áreas montanhosas e o rio Paraguai, a Serra do Amolar é considerada uma das regiões mais preservadas do Pantanal e abriga importante diversidade de espécies animais e vegetais. O isolamento geográfico do local ajuda na conservação ambiental, mas também dificulta o acesso das equipes responsáveis pelo combate ao fogo. Desde o ano de 2020, mais de 11 milhões de hectares do Pantanal foram atingidos pelas chamas, provocando destruição ambiental e ameaçando diretamente a fauna e a flora da região. Diante das dificuldades enfrentadas em operações anteriores, as equipes passaram a investir em novas estratégias para facilitar a chegada dos brigadistas aos focos iniciais de incêndio. Como parte desse trabalho, foi criada a travessia Guadacã, um percurso de aproximadamente 60 quilômetros de extensão que permitirá acesso mais rápido às áreas de risco e servirá como apoio logístico durante as operações de combate às queimadas.
Além de facilitar o deslocamento das equipes de emergência, as trilhas abertas também desempenham papel importante na proteção da fauna silvestre. Segundo especialistas, os caminhos manejados funcionam como rotas de fuga naturais para os animais durante os incêndios, permitindo que espécies ameaçadas escapem das áreas atingidas pelo fogo com maior rapidez. O processo de limpeza da vegetação ao longo do trajeto cria o chamado “aceiro vivo”, uma técnica utilizada para interromper a propagação das chamas por meio da retirada de folhas secas, galhos e vegetação acumulada. Essa barreira física reduz a continuidade do fogo e pode evitar que pequenos focos se transformem em grandes desastres ambientais. As ações preventivas são consideradas fundamentais em um bioma extremamente sensível às queimadas, principalmente após os incêndios de grandes proporções registrados nos últimos anos. Especialistas destacam que a combinação entre prevenção, monitoramento e resposta rápida é essencial para reduzir os impactos ambientais e aumentar a capacidade de proteção do Pantanal durante os períodos de seca intensa e altas temperaturas.
O projeto também envolve diretamente comunidades indígenas e moradores da região, que passaram a participar tanto das ações de preservação quanto das atividades de turismo sustentável associadas à travessia Guadacã. Os participantes receberam capacitação sobre técnicas de segurança, combate ao fogo e atendimento emergencial, ampliando o conhecimento das comunidades locais sobre manejo ambiental e proteção do território. Além da função ambiental, a trilha começou a despertar interesse turístico devido às paisagens da Serra do Amolar, considerada uma das áreas mais belas do Pantanal sul-mato-grossense. Integrantes das comunidades afirmam que o percurso oferece uma experiência única de contato com a natureza e fortalece a valorização do patrimônio ambiental da região. O envolvimento da população local nas ações de conservação também contribui para aumentar a conscientização sobre a importância da preservação do Pantanal, bioma que enfrenta desafios constantes relacionados às mudanças climáticas, à seca e às queimadas. Para especialistas e moradores, todo o esforço realizado para proteger a região representa um investimento essencial na preservação da biodiversidade e na sobrevivência dos ecossistemas pantaneiros.

