-
A revista americana Time divulgou sua tradicional lista das cem pessoas mais influentes do mundo, destacando personalidades que vêm causando impacto em diferentes áreas da sociedade. Entre os brasileiros mencionados estão o ator Wagner Moura e dois pesquisadores responsáveis por importantes avanços científicos nas áreas de agricultura e saúde pública. Wagner Moura ganhou destaque internacional após ser indicado ao Oscar de melhor ator pelo filme O Agente Secreto e chegou a estampar uma das capas da publicação. Além do reconhecimento artístico, a lista valorizou o trabalho de cientistas brasileiros que desenvolveram soluções inovadoras com impacto direto na qualidade de vida da população e na preservação ambiental. A presença desses nomes reforça o reconhecimento internacional da ciência produzida no Brasil e evidencia a importância das pesquisas desenvolvidas em instituições públicas brasileiras ao longo das últimas décadas.
Uma das pesquisadoras homenageadas foi Mariangela Hungria, cientista da Embrapa em Londrina, no Paraná. Durante cerca de quarenta anos de pesquisa, ela desenvolveu tecnologias biológicas voltadas para a agricultura sustentável, especialmente no cultivo da soja. O trabalho da pesquisadora resultou na criação de inoculantes biológicos capazes de substituir fertilizantes químicos por bactérias vivas que realizam a fixação do nitrogênio diretamente no solo. Atualmente, essa tecnologia é utilizada em aproximadamente 85% das áreas de soja plantadas no Brasil, reduzindo custos para os produtores e diminuindo significativamente os impactos ambientais da produção agrícola. Segundo a pesquisadora, o uso desses biológicos evita a emissão de milhões de toneladas de gases de efeito estufa, contribuindo para uma agricultura mais sustentável e alinhada às exigências internacionais por alimentos produzidos com menor impacto ambiental. O reconhecimento da revista Time foi interpretado por ela como um sinal da valorização global de práticas agrícolas sustentáveis e da importância da ciência brasileira para o desenvolvimento do setor agropecuário.
Outro brasileiro incluído na lista foi o cientista Luciano Moreira, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, responsável pelo desenvolvimento de mosquitos Aedes aegypti modificados com uma bactéria capaz de impedir a transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya. O projeto é desenvolvido em Curitiba, onde funciona a maior fábrica de mosquitos do mundo voltada a esse tipo de controle biológico. Os insetos produzidos são liberados em diversas cidades brasileiras para reduzir a circulação dos vírus transmitidos pelo mosquito. Estudos realizados após a implementação do método apontaram resultados expressivos, incluindo redução significativa nos casos de dengue em municípios como Niterói e Campo Grande. Segundo o pesquisador, o reconhecimento internacional representa o resultado de um trabalho coletivo desenvolvido por equipes de cientistas comprometidas com a melhoria da saúde pública. A iniciativa é considerada uma importante ferramenta no combate às arboviroses e demonstra como a pesquisa científica pode contribuir diretamente para a redução do sofrimento da população e para o fortalecimento das políticas públicas de saúde no Brasil.

