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Em hospitais de referência em São Paulo, como o Hospital das Clínicas e seus institutos especializados, entre eles o Instituto do Coração (Incor), a inteligência artificial vem sendo incorporada aos processos de diagnóstico e tratamento para ampliar a eficiência do atendimento médico. Um dos exames mais comuns realizados nessas unidades é o eletrocardiograma, que registra a atividade elétrica do coração e permite identificar alterações no ritmo cardíaco e outras anormalidades. Tradicionalmente, esse exame exige análise cuidadosa de um especialista, mas atualmente a primeira triagem já pode ser feita por sistemas de inteligência artificial. Esses sistemas são capazes de identificar diferentes padrões e indicar possíveis problemas, como arritmias e bloqueios cardíacos, auxiliando o médico na tomada de decisão. A tecnologia não substitui o profissional, mas funciona como uma ferramenta de apoio, acelerando o processo de interpretação e aumentando a precisão inicial dos diagnósticos.
Além dos exames cardíacos, a inteligência artificial também está sendo aplicada em outras áreas da medicina, como na radiologia e na produção de laudos médicos. Em setores onde o profissional precisa consultar diferentes sistemas para reunir informações do paciente, a IA permite integrar esses dados em uma única plataforma, reduzindo o tempo de análise e tornando o trabalho mais ágil. Com isso, tarefas que antes exigiam a abertura de múltiplos sistemas e janelas podem ser realizadas com mais rapidez e organização. Em alguns casos, o tempo de elaboração de um laudo pode ser reduzido em até 15 minutos, o que aumenta a produtividade dos serviços de saúde e permite atender um maior número de pacientes ao longo do dia. Em exames de imagem, como a ressonância magnética, algoritmos também ajudam a otimizar a captação e o processamento das informações, reduzindo o tempo de permanência do paciente dentro do equipamento e melhorando o fluxo de atendimento nos hospitais.
No ambiente cirúrgico, a inteligência artificial também já faz parte do planejamento e da execução de procedimentos complexos, como a colocação de stents em artérias do coração. Antes da tecnologia, médicos realizavam medições manuais para definir o tamanho e o posicionamento do dispositivo. Agora, sistemas inteligentes conseguem analisar imagens da artéria, calcular medidas com precisão e indicar o melhor procedimento em menos tempo. Em algumas situações, o uso da IA pode tornar o processo até 60% mais rápido, além de reduzir a margem de erro e aumentar a segurança do paciente. Após a cirurgia, a tecnologia também auxilia na verificação do resultado, identificando possíveis ajustes necessários para garantir o bom funcionamento do tratamento. Especialistas destacam que o objetivo não é substituir o trabalho médico, mas ampliar sua capacidade de análise e permitir que os profissionais dediquem mais tempo ao atendimento humano. A expectativa é que, com o avanço dessas ferramentas, o acesso a diagnósticos de qualidade seja ampliado em diferentes regiões do país, contribuindo para a democratização da saúde e para a padronização de melhores práticas médicas.

