MWM MWMW MWM MWMWMW, 24 de Março
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A capacidade de armazenamento de grãos no Brasil deve atingir o menor nível das últimas duas décadas, segundo projeções do setor agrícola. O problema preocupa produtores e especialistas porque ocorre justamente em um momento de crescimento recorde da produção nacional de grãos. Nos últimos dez anos, a produção agrícola brasileira praticamente dobrou, passando de cerca de 180 milhões para aproximadamente 350 milhões de toneladas. O avanço da produtividade foi impulsionado pelo uso de tecnologia, expansão das áreas cultivadas e modernização das lavouras. Entretanto, a infraestrutura de armazenagem não acompanhou esse crescimento no mesmo ritmo. A previsão é de que o país consiga armazenar apenas 61,7% de toda a produção deste ano, o pior índice desde o início da série histórica, iniciada em 2005. O déficit estimado ultrapassa 135 milhões de toneladas de grãos sem espaço adequado para armazenamento. Especialistas alertam que a falta de silos e armazéns pode provocar perdas econômicas, desperdício de alimentos e dificuldades logísticas para o escoamento da produção agrícola brasileira, especialmente em estados líderes na produção, como Mato Grosso, onde a capacidade de armazenamento corresponde a apenas metade do volume produzido.



O cenário se tornou ainda mais preocupante devido aos impactos da guerra envolvendo o Irã e outras regiões estratégicas para o comércio internacional. O Irã é um dos principais compradores do milho brasileiro e respondeu por mais de 20% das exportações do produto no último ano. Além disso, outros importantes parceiros comerciais do agronegócio brasileiro, como Egito, Turquia, Arábia Saudita e Iraque, também estão localizados em regiões afetadas pela instabilidade geopolítica. O conflito elevou os custos do transporte marítimo e aumentou as dificuldades logísticas para levar os produtos brasileiros aos mercados internacionais. Produtores rurais também demonstram preocupação com a alta no preço dos fertilizantes, especialmente os derivados de ureia, amplamente utilizados nas lavouras de milho. Embora o consumo interno de grãos ainda mantenha parte da produção absorvida pelo mercado nacional, especialistas alertam que um prolongamento da crise internacional poderá comprometer exportações, pressionar ainda mais os custos de produção e agravar o problema de armazenamento no país.

Atualmente, a Companhia Nacional de Abastecimento possui 126 armazéns espalhados pelo território nacional, mas a estrutura é considerada insuficiente diante do volume crescente da produção agrícola brasileira. Grande parte dos grãos acaba sendo armazenada em estruturas privadas, caminhões ou áreas improvisadas até o transporte para os portos. Para tentar reduzir o déficit, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social oferece linhas de crédito específicas para produtores e cooperativas investirem na construção de silos dentro das propriedades rurais. Muitos agricultores também passaram a utilizar o chamado silo bolsa, sistema de armazenamento temporário feito com grandes bolsas plásticas utilizadas diretamente nas fazendas. Produtores afirmam que essa alternativa tem ajudado a preservar a qualidade dos grãos durante longos períodos, mesmo em situações de falta de espaço nos armazéns convencionais. Apesar das soluções emergenciais, representantes do setor defendem investimentos mais amplos em infraestrutura logística e armazenagem para evitar prejuízos futuros. Segundo especialistas, caso ocorram bloqueios em portos ou interrupções nas exportações por causa de conflitos internacionais, o Brasil poderá enfrentar sérias dificuldades para armazenar a produção recorde de grãos prevista para os próximos anos.