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Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego apontam que o Brasil registrou, no último ano, o maior número de acidentes de trabalho da última década. Segundo o levantamento, mais de 800 mil trabalhadores com carteira assinada sofreram acidentes durante o exercício de suas funções, enquanto 3.644 pessoas morreram em decorrência dessas ocorrências. As informações foram apresentadas em Brasília durante evento em homenagem ao Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho. Os números foram elaborados com base em registros do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do sistema E-Social. Até o período anterior à pandemia de covid-19, o país registrava cerca de 500 mil acidentes anuais. Durante o auge da crise sanitária houve redução temporária, mas, nos anos seguintes, os índices cresceram continuamente até atingir o atual recorde histórico.
O Ministério do Trabalho avalia que parte desse aumento pode estar relacionada às transformações nas relações de trabalho observadas nos últimos anos, especialmente com o crescimento das terceirizações e de modelos mais fragmentados de contratação. Segundo especialistas, a atuação simultânea de equipes ligadas a diferentes empresas em um mesmo ambiente pode dificultar a padronização de medidas de segurança e aumentar os riscos ocupacionais. Em dez anos, o país acumulou aproximadamente 6,4 milhões de acidentes de trabalho e mais de 27 mil mortes relacionadas ao exercício profissional. O levantamento também identificou as categorias mais afetadas. Técnicos de enfermagem lideram o número de acidentes registrados, seguidos por trabalhadores da indústria e profissionais da limpeza. Já os caminhoneiros aparecem como a categoria com maior número de mortes, acumulando mais de 4 mil óbitos em uma década.
Além das perdas humanas, os acidentes de trabalho também provocam impactos sociais e econômicos expressivos. De acordo com os dados apresentados, os trabalhadores brasileiros ficaram afastados de suas atividades por cerca de 106 milhões de dias ao longo dos últimos dez anos devido a acidentes laborais. Especialistas afirmam que esse cenário afeta diretamente a produtividade das empresas, aumenta os custos previdenciários e causa sofrimento prolongado às famílias dos trabalhadores atingidos. Para reduzir os índices, autoridades e profissionais da área defendem maior investimento em prevenção, fortalecimento dos programas de gerenciamento de riscos ocupacionais e ampliação da fiscalização das condições de trabalho. Apesar da existência de legislação específica voltada à segurança do trabalhador, especialistas e representantes das categorias profissionais afirmam que ainda há falhas na aplicação das normas e no acompanhamento das condições oferecidas nos ambientes de trabalho em diversas regiões do país.

