MWM MWMW MWM MWMWMW, 24 de Abril
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O furto de cabos de energia e telecomunicação vem crescendo em diversas cidades brasileiras e já provoca prejuízos milionários, interrupções no fornecimento de serviços e aumento da insegurança urbana. O problema se espalhou rapidamente nos últimos anos e passou a fazer parte da rotina de muitos bairros e centros urbanos. Em várias regiões do país, moradores têm presenciado criminosos retirando fios de postes, caixas subterrâneas e estruturas de transmissão, muitas vezes colocando a própria vida em risco ao subir em postes e redes elétricas energizadas. Em Belo Horizonte, um homem foi flagrado pendurado a cerca de três metros de altura enquanto tentava furtar cabos de telecomunicação. Após perceber a presença de testemunhas, ele fugiu e deixou parte do material cortado para trás. Casos semelhantes têm sido registrados com frequência em diferentes estados brasileiros. Segundo dados do setor elétrico, o volume de cabos furtados praticamente triplicou em apenas um ano, passando de aproximadamente 300 toneladas em 2024 para cerca de 975 toneladas em 2025. Os prejuízos financeiros também aumentaram de forma significativa, saltando de cinquenta milhões para noventa milhões de reais no mesmo período.



Além dos prejuízos econômicos, os furtos causam impactos diretos na vida da população e comprometem serviços essenciais. No Ceará, por exemplo, o roubo de cerca de duzentos quilômetros de fios deixou aproximadamente 450 mil consumidores sem energia elétrica em 2025. Em Santa Catarina, as ocorrências desse tipo quase dobraram nos últimos dois anos, gerando preocupação entre autoridades e concessionárias. Empresas responsáveis pelo fornecimento de energia relatam gastos elevados com reposição de materiais, manutenção das redes e reforço da segurança. Somente a concessionária que atende parte do estado do Rio de Janeiro estima perdas superiores a 34 milhões de reais causadas pelos furtos neste ano. Em alguns casos, os criminosos agem de forma organizada e utilizam uniformes falsos de empresas de energia para evitar suspeitas durante as ações. Na capital fluminense, dois homens foram presos após abrirem um buraco na calçada para retirar cabeamento subterrâneo utilizando esse tipo de disfarce. As autoridades alertam que o aumento desses crimes afeta não apenas o abastecimento de energia, mas também serviços de telefonia, internet, segurança pública e mobilidade urbana.

As investigações policiais apontam que o furto de cabos faz parte de uma cadeia criminosa estruturada que envolve receptadores e ferros-velhos clandestinos. O cobre retirado das redes elétricas é vendido ilegalmente e muitas vezes misturado a materiais obtidos legalmente, dificultando a identificação da origem do metal. Depois disso, o cobre segue para indústrias de transformação, onde é reutilizado na fabricação de novos produtos que retornam ao mercado. Especialistas em segurança afirmam que combater apenas os autores dos furtos não é suficiente para reduzir o problema, sendo necessário atingir também os receptadores responsáveis pela compra e comercialização do material roubado. Segundo a polícia, o enfraquecimento dessa rede clandestina pode interromper várias etapas da cadeia criminosa relacionada ao comércio ilegal de cobre. Autoridades defendem o aumento da fiscalização em depósitos de sucata e ferros-velhos, além da criação de mecanismos mais rígidos de controle sobre a comercialização de metais. O objetivo é reduzir os prejuízos financeiros, evitar interrupções nos serviços públicos e dificultar a atuação das organizações envolvidas nesse tipo de crime.