-
As quedas entre idosos representam uma das principais causas de internação hospitalar no Brasil e têm provocado preocupação crescente entre profissionais da saúde e familiares. Grande parte desses acidentes acontece dentro das próprias residências e pode resultar em fraturas graves, necessidade de cirurgias e impactos emocionais importantes, especialmente em uma fase da vida marcada pela redução da mobilidade e pelo aumento da insegurança física. Um exemplo é o caso de uma idosa que precisou passar por cirurgia no fêmur após sofrer uma queda ao se levantar durante a noite para ir ao banheiro. Segundo especialistas, situações como essa se tornam mais frequentes com o envelhecimento, devido à perda gradual de força muscular, equilíbrio e reflexos. Dados recentes apontam que o número de internações causadas por quedas aumentou mais de 8% entre os anos de 2024 e 2025 em todo o país, chegando a quase 179 mil registros no período analisado. No estado de Mato Grosso, o crescimento foi ainda maior, aproximando-se de 20%. Somente neste ano, dezenas de idosos já precisaram de atendimento hospitalar após acidentes domésticos relacionados a quedas.
Médicos explicam que diversos fatores contribuem para o aumento do risco de acidentes entre pessoas idosas. O uso de medicamentos que provocam sonolência, a perda natural de massa muscular, conhecida como sarcopenia, e a diminuição da autonomia física ao longo da vida tornam os idosos mais vulneráveis. Além disso, fatores ambientais dentro das residências também representam perigo significativo. Tapetes soltos, pisos escorregadios, desníveis, iluminação inadequada e o uso de calçados inseguros, como chinelos e sandálias sem firmeza, aumentam consideravelmente as chances de quedas. Em instituições de acolhimento para idosos, medidas preventivas vêm sendo adotadas para reduzir os riscos e garantir mais segurança aos moradores. Em um abrigo localizado em Cuiabá, por exemplo, os ambientes foram adaptados com rampas de acesso, barras de apoio nos banheiros, boa iluminação e ausência de tapetes. O local também utiliza câmeras de monitoramento e conta com equipes treinadas para prestar atendimento imediato em caso de acidentes, realizando avaliações rápidas e encaminhando os idosos aos serviços de saúde quando necessário.
A prevenção e a reabilitação por meio da fisioterapia têm desempenhado papel fundamental na redução do número de quedas entre idosos. Profissionais da área destacam que exercícios voltados ao fortalecimento muscular, melhora da mobilidade articular e desenvolvimento da coordenação motora ajudam a preservar a independência e aumentar a segurança durante as atividades do dia a dia. Além dos benefícios físicos, as atividades terapêuticas também contribuem para recuperar a confiança dos idosos após acidentes, reduzindo o medo de novas quedas. Uma paciente que sofreu um acidente após uma crise de labirintite relatou melhora significativa após seis meses de fisioterapia, destacando a importância de manter o corpo ativo durante o envelhecimento. Especialistas reforçam que o acompanhamento profissional, aliado à adaptação dos ambientes domésticos e à prática regular de exercícios, pode diminuir consideravelmente os riscos de acidentes. O aumento das internações por quedas evidencia a necessidade de ampliar políticas de prevenção e conscientização, garantindo mais qualidade de vida, autonomia e segurança para a população idosa brasileira.

