MWM MWMW MWM MWMWMW, 01 de Maio
-


O período de colheita do pinhão movimenta a economia e a rotina de milhares de famílias na região da Serra Catarinense, em Santa Catarina. A coleta da semente da araucária representa uma importante fonte de renda para produtores rurais e trabalhadores que dependem da atividade para complementar ou garantir o sustento anual. Neste ano, no entanto, a safra deve apresentar redução significativa em comparação ao período anterior. Produtores da região já relatam queda na quantidade colhida, situação percebida por agricultores que trabalham com o pinhão há décadas. Em municípios como Lages, trabalhadores afirmam que a produção deve ficar muito abaixo da registrada em 2025. Dados da região indicam que os 18 municípios da Serra Catarinense devem colher aproximadamente 3.700 toneladas de pinhão, volume cerca de 32% menor do que o registrado no ano passado. Especialistas explicam que a araucária possui um ciclo produtivo longo e complexo, o que dificulta identificar exatamente as causas das oscilações na produção anual. Segundo técnicos da área, uma mesma árvore apresenta simultaneamente diferentes fases de desenvolvimento de futuras safras, atravessando vários anos sob influência de alterações climáticas e ambientais.



A produção do pinhão possui grande importância econômica e social para cerca de 10 mil famílias rurais da Serra Catarinense. Diante da redução na safra deste ano, produtores esperam compensar parte das perdas com o aumento do valor pago pelo produto. Atualmente, o quilo do pinhão está sendo comercializado entre 10 e 12 reais, preço considerado superior ao praticado em 2025, quando variava entre seis e sete reais. O aumento no valor de venda é visto pelos agricultores como uma alternativa para equilibrar os impactos provocados pela menor quantidade disponível para comercialização. Em municípios como Painel, considerado um dos maiores produtores da região serrana, a renda obtida com o pinhão é fundamental para a manutenção das propriedades rurais e para o sustento das famílias ao longo do ano. Muitos agricultores dependem diretamente da atividade para financiar despesas agrícolas, manter a produção e atravessar os períodos entre uma safra e outra. A comercialização do pinhão também movimenta feiras, mercados locais e pequenos negócios ligados à economia regional durante os meses de colheita.

Além da importância econômica, o pinhão possui forte valor cultural e afetivo para as comunidades da Serra Catarinense. Para muitas famílias, a atividade de coleta representa uma tradição transmitida entre gerações e está associada ao modo de vida rural característico da região. Moradores relatam uma relação de proximidade com a natureza e com as araucárias, árvores que fazem parte da paisagem e da identidade cultural do sul do Brasil. Durante o período da safra, é comum que famílias inteiras participem da coleta da semente, transformando a atividade em um momento de convivência e preservação de costumes locais. O pinhão também possui destaque na culinária regional e é consumido de diferentes formas em festas e encontros tradicionais. Santa Catarina ocupa atualmente a posição de segundo maior produtor de pinhão do país, ficando atrás apenas do Paraná. A expectativa dos produtores é que os preços mais elevados contribuam para amenizar os impactos da redução da safra e garantam a continuidade da atividade para milhares de famílias da região.