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O cultivo do lulo, fruta nativa da Colômbia ainda pouco conhecida no Brasil, começa a ganhar espaço em iniciativas agrícolas alternativas no país. No distrito de Parelheiros, localizado na zona sul da cidade de São Paulo, uma agricultora decidiu investir na produção desse fruto após conhecê-lo em uma feira de agroecologia. A região, caracterizada pela presença de áreas de Mata Atlântica e pela atuação de pequenos produtores, tem se consolidado como polo de agricultura sustentável. Nesse contexto, a produtora passou a cultivar o lulo de forma orgânica, sem o uso de agrotóxicos, integrando o plantio a um sistema agroflorestal. A experiência teve início de maneira experimental, a partir de sementes obtidas informalmente, e evoluiu gradualmente até alcançar uma produção estruturada, com dezenas de plantas já em fase produtiva e outras em desenvolvimento.
A planta do lulo apresenta características específicas que exigem cuidados adequados para seu cultivo, como solo úmido, bem drenado e rico em matéria orgânica, além de sombreamento parcial. A adaptação ao clima brasileiro, especialmente em regiões de temperatura mais amena, tem se mostrado viável, conforme observado na experiência relatada. A colheita ocorre predominantemente no período de verão, e a expectativa de produtividade pode chegar a cerca de dez quilos por planta ao ano, quando em plena maturidade. Por se tratar de um produto ainda raro no mercado nacional, o lulo possui elevado valor comercial, podendo atingir preços significativamente superiores aos de frutas convencionais. Esse fator, aliado à demanda crescente por alimentos diferenciados e de origem sustentável, contribui para o potencial econômico da cultura.
Além da comercialização in natura, o lulo tem sido utilizado na produção de derivados, como geleias, que agregam valor ao produto e ampliam suas possibilidades de consumo. A produção artesanal tem encontrado espaço tanto no turismo rural quanto no mercado gastronômico, com fornecimento para restaurantes e participação em eventos especializados. O sabor da fruta, descrito como levemente ácido e semelhante ao do kiwi, favorece sua aplicação em diversas preparações culinárias, incluindo pratos salgados e sobremesas. Chefs de cozinha, especialmente aqueles com influência da culinária colombiana, demonstram interesse em incorporar o ingrediente em seus cardápios. Diante desse cenário, a expansão do cultivo no Brasil pode representar uma oportunidade para diversificação agrícola e fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis, com perspectivas de aumento significativo na produção nos próximos anos.

