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No Brasil, o crescimento de anúncios falsos em redes sociais e outras plataformas digitais tem ampliado a ocorrência de golpes virtuais que afetam milhares de usuários. Esses conteúdos enganosos são impulsionados por criminosos que utilizam recursos tecnológicos avançados, como a inteligência artificial, para criar propagandas aparentemente legítimas, incluindo vídeos e áudios manipulados com a imagem e a voz de pessoas conhecidas e consideradas confiáveis. Muitas dessas fraudes simulam ofertas de serviços públicos, promessas de benefícios financeiros ou facilidades inexistentes, induzindo os usuários ao erro. Mesmo com denúncias recorrentes, especialistas e vítimas relatam dificuldades para remover esse tipo de conteúdo, que continua circulando de forma ampla nas redes.
O avanço dessas práticas acompanha uma mudança significativa no perfil da criminalidade no país. Dados recentes apontam que, enquanto os crimes tradicionais vêm diminuindo, os delitos digitais cresceram de forma expressiva, evidenciando a migração da atividade criminosa para o ambiente virtual. O funcionamento das plataformas digitais, que permitem a segmentação de anúncios com base em dados pessoais dos usuários, como idade, interesses e localização, facilita a disseminação desses conteúdos fraudulentos. Para impulsionar anúncios, anunciantes utilizam sistemas pagos e cadastros que exigem identificação, como CPF ou CNPJ, o que, em tese, deveria aumentar a segurança. No entanto, especialistas criticam a atuação das empresas de tecnologia, conhecidas como big techs, argumentando que elas ainda não adotam medidas suficientes para impedir a circulação de fraudes, apesar de serem responsáveis pela infraestrutura que permite a veiculação desses anúncios.
As próprias plataformas, por sua vez, afirmam que vêm ampliando mecanismos de controle e remoção de conteúdos fraudulentos. Empresas como Meta, Google, X (antigo Twitter) e TikTok declaram adotar políticas rigorosas de moderação, uso de tecnologias de detecção e sistemas de denúncia para usuários. Relatórios indicam a remoção de centenas de milhões de anúncios irregulares em um único ano, além da suspensão de contas envolvidas em práticas enganosas. Ainda assim, investigações e levantamentos apontam que parte relevante da receita dessas empresas pode estar associada a anúncios fraudulentos, o que levanta questionamentos sobre a efetividade das medidas adotadas. No Brasil, órgãos como a Advocacia-Geral da União têm atuado judicialmente para retirar conteúdos irregulares do ar, embora reconheçam que a escala do problema ainda supera a capacidade de resposta atual. Especialistas defendem que o enfrentamento dessas fraudes exige uma combinação de regulação mais rigorosa, fiscalização eficiente e maior responsabilidade das plataformas digitais, diante do impacto econômico e social causado por esses crimes virtuais.

