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O Brasil registra um cenário persistente e preocupante de violência contra a mulher, evidenciado por dados recentes divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Desde 2015, quando o feminicídio foi tipificado como crime na legislação brasileira, quase 14 mil mulheres foram assassinadas em razão de seu gênero. Em 2025, o levantamento aponta que uma mulher é vítima de feminicídio a cada seis horas no país, totalizando 1.568 casos no último ano, o que representa um aumento de 4,7% em relação ao período anterior. O estudo também indica que quatro em cada dez homicídios de mulheres já são classificados como feminicídio, revelando a gravidade e a recorrência desse tipo de crime no contexto nacional.
Os dados detalham ainda o perfil das vítimas e das circunstâncias em que os crimes ocorrem. A maioria das mulheres assassinadas é negra, representando mais de 60% dos casos, e cerca de metade das vítimas tinha entre 30 e 49 anos de idade. Além disso, aproximadamente 13% das mulheres mortas possuíam medida protetiva de urgência, o que evidencia falhas na efetividade dos mecanismos de proteção existentes. Outro dado alarmante mostra que dois terços dos feminicídios acontecem dentro da própria residência das vítimas, reforçando o entendimento de que o lar, que deveria ser um espaço de segurança, muitas vezes se torna o principal cenário da violência. Em grande parte dos casos, os autores dos crimes são companheiros ou ex-companheiros, o que evidencia a relação íntima entre vítima e agressor como fator recorrente.
A distribuição geográfica dos casos também revela desigualdades estruturais no enfrentamento do problema. Estados como Acre, Rondônia e Mato Grosso do Sul apresentam as maiores taxas de feminicídio proporcionalmente à população, enquanto em São Paulo houve um aumento expressivo de 96% entre 2021 e 2025, concentrando cerca de 17% dos registros nacionais. O estudo aponta ainda que metade dos crimes ocorre em municípios com menos de 100 mil habitantes, sendo que uma parcela significativa dessas cidades não dispõe de delegacias especializadas no atendimento à mulher. Em muitos casos, sequer há delegacias comuns, o que dificulta o acesso das vítimas à proteção institucional. Diante desse cenário, especialistas destacam a necessidade de ampliação da rede de apoio, fortalecimento das políticas públicas e maior engajamento social no enfrentamento da violência de gênero, especialmente para garantir mecanismos mais eficazes de prevenção e acolhimento.

