-
Autoridades federais têm registrado um aumento no contrabando de árvores centenárias no Sul do Brasil, especialmente oliveiras de grande porte importadas de forma irregular da Argentina. Essas árvores, com mais de cem anos de idade, podem atingir dimensões expressivas, com troncos que chegam a cerca de três metros de altura, e são altamente valorizadas no mercado de paisagismo de luxo. Estima-se que cada exemplar possa alcançar até R$ 100 mil quando comercializado legalmente no Brasil. Nesta semana, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu seis oliveiras no estado do Paraná, que estavam sendo transportadas de forma irregular em um caminhão. Em outra ocorrência recente, no município de Maringá, também no Paraná, agentes encontraram mais exemplares escondidos em um veículo de carga, ocupando praticamente todo o compartimento de transporte. O motorista responsável foi preso em flagrante e informou não possuir a documentação exigida para a entrada regular das árvores no país, que seriam destinadas ao estado de São Paulo.
A legislação brasileira exige que a importação desse tipo de vegetal siga regras rígidas de controle fitossanitário e autorização de órgãos ambientais e fiscais. Entre as exigências estão a apresentação de laudos oficiais emitidos no país de origem, atestando que as plantas não possuem pragas ou doenças que possam ameaçar a agricultura nacional. Sem essa documentação, a entrada e o transporte das árvores são considerados ilegais e caracterizados como contrabando. Após apreensão, os exemplares são encaminhados à Receita Federal, responsável pelo processo administrativo. Segundo o órgão, o comércio ilegal dessas árvores ocorre porque elas são adquiridas por valores baixos em países vizinhos e revendidas no Brasil por preços elevados, especialmente para condomínios de alto padrão, empresas e projetos de paisagismo de luxo. Esse tipo de prática tem chamado atenção das autoridades devido ao risco de introdução de pragas agrícolas e impactos ambientais. Apenas neste ano, já foram apreendidas 21 oliveiras em situação irregular, enquanto no ano anterior o total chegou a 61 árvores, avaliadas em cerca de R$ 3,5 milhões, todas interceptadas principalmente nos estados de Santa Catarina e Paraná.
As autoridades alertam que a popularização dessas árvores no mercado de luxo tem incentivado a compra sem a devida verificação da origem legal, o que pode levar consumidores a adquirir produtos provenientes de contrabando sem conhecimento da irregularidade. Especialistas reforçam que a responsabilidade não recai apenas sobre quem transporta, mas também sobre quem compra, já que a aquisição de bens introduzidos ilegalmente no país pode configurar crime. O Ministério da Agricultura e Pecuária destacou que a entrada clandestina de espécies vegetais representa um risco significativo para a agricultura e para o meio ambiente, pois pode facilitar a disseminação de pragas e doenças com potencial de causar grandes prejuízos econômicos e ecológicos. Diante disso, os órgãos de defesa agropecuária seguem protocolos rigorosos, que incluem a destruição do material apreendido como forma de prevenção. As investigações continuam concentradas nas regiões de fronteira com a Argentina, onde esse tipo de transporte irregular tem sido mais frequente, reforçando a necessidade de fiscalização constante para coibir o comércio ilegal de espécies vegetais de alto valor.

