MWM MWMW MWM MWMWMW, 26 de Março
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Um novo grupo de peixes-bois amazônicos foi devolvido à natureza em uma importante ação de preservação ambiental coordenada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Os animais passaram por um longo processo de reabilitação e adaptação antes de serem soltos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, uma das áreas consideradas mais adequadas para a sobrevivência da espécie. O peixe-boi amazônico é um mamífero aquático fundamental para o equilíbrio ecológico dos rios da Amazônia, mas enfrenta ameaças constantes devido à caça ilegal, à degradação ambiental e à perda de habitat natural. Por causa desses fatores, a espécie ainda é considerada vulnerável ao risco de extinção. Antes da soltura, os animais permaneceram durante cerca de um ano em uma área de semicativeiro mantida em parceria com uma fazenda da região amazônica. Nesse período, os pesquisadores monitoraram o comportamento dos peixes-bois para garantir que eles estivessem preparados para retornar à vida selvagem. Cada animal recebeu identificação eletrônica por microchip, permitindo o acompanhamento individual após a soltura. A transferência até a reserva envolveu uma operação complexa, realizada por caminhão e embarcação, em uma viagem que durou mais de 24 horas até o local escolhido para a reintrodução dos mamíferos ao ambiente natural.



Além do trabalho científico, o projeto também desenvolve ações de educação ambiental junto às comunidades que vivem próximas às áreas de soltura. Crianças e moradores locais participam de atividades educativas sobre a importância do peixe-boi para os rios amazônicos e para a preservação da biodiversidade regional. Especialistas destacam que o envolvimento das populações locais é fundamental para garantir a proteção dos animais após a devolução à natureza. Parte dos peixes-bois recebeu cintos com radiotransmissores instalados na cauda, permitindo que pesquisadores monitorem os deslocamentos e as condições de sobrevivência dos animais nos primeiros meses após a soltura. O acompanhamento é realizado tanto por cientistas quanto por moradores da reserva treinados para identificar sinais emitidos pelos equipamentos. Um dos participantes do monitoramento é um ex-caçador de peixe-boi que hoje atua na proteção da espécie, simbolizando a transformação da relação entre as comunidades e os animais ameaçados. Pesquisadores afirmam que a preservação do peixe-boi depende não apenas de ações de resgate e reintrodução, mas também da conscientização da população sobre a importância da conservação ambiental na Amazônia.

A soltura dos animais foi planejada para ocorrer durante o período de cheia dos rios amazônicos, quando há maior oferta de alimento natural para os peixes-bois, favorecendo a adaptação ao ambiente selvagem. Plantas aquáticas abundantes nessa época garantem melhores condições de sobrevivência e aumentam as chances de sucesso do processo de reintrodução. Entre os animais devolvidos à natureza estava uma fêmea chamada Muruá, resgatada ainda filhote em 2016 com apenas quatro meses de idade e cerca de 25 quilos. Após quase dez anos de cuidados e acompanhamento, ela retornou adulta ao habitat natural, pronta para viver de forma independente e contribuir para a reprodução da espécie. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, já foram devolvidos 59 peixes-bois à natureza nos últimos 11 anos por meio do Projeto Peixe-Boi. Os pesquisadores ressaltam que iniciativas como essa são essenciais para evitar o desaparecimento da espécie e fortalecer a preservação dos ecossistemas amazônicos, considerados fundamentais para o equilíbrio ambiental do planeta.