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Um estudo realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica revelou uma piora significativa na qualidade da água de rios localizados em 14 estados brasileiros. A pesquisa analisou 128 rios que atravessam áreas do bioma da Mata Atlântica e apontou que a situação dos recursos hídricos se agravou entre 2024 e 2025. Um dos exemplos citados é o Rio Trapicheiro, localizado no Parque Nacional da Tijuca e que deságua na Baía de Guanabara. Apesar de aparentar boas condições visuais, testes realizados ao longo do último ano mostraram redução no volume de água e piora nos principais indicadores de qualidade. Segundo especialistas e voluntários envolvidos no monitoramento, o problema está diretamente relacionado ao despejo contínuo de esgoto doméstico, à falta de saneamento básico e à degradação ambiental em áreas urbanas. As análises foram feitas mensalmente durante todo o ano passado e os resultados demonstram um cenário considerado preocupante pelos pesquisadores. A pesquisa também destaca que a degradação dos rios afeta diretamente o equilíbrio ambiental, o abastecimento de água e a qualidade de vida das populações que dependem desses recursos naturais em diversas regiões do país.
Os dados do levantamento mostram que a quantidade de rios classificados com água de boa qualidade caiu drasticamente. Em 2024, nove pontos de coleta apresentavam índices considerados positivos, mas em 2025 esse número caiu para apenas três locais monitorados. Entre os rios que ainda mantiveram boas condições estão o Rio Betume, em Sergipe, e os rios Piraí e Água Limpa, em São Paulo. O estudo revelou ainda que apenas 3% das amostras coletadas apresentaram água de boa qualidade, o menor índice registrado desde o início da pesquisa, em 2014. A maior parte das análises, correspondente a 78%, classificou a água como regular, enquanto 15% receberam avaliação ruim. Outros 3% atingiram o pior nível possível, sendo classificados como de péssima qualidade. Nenhuma das amostras analisadas apresentou água considerada ótima. Para os especialistas da Fundação SOS Mata Atlântica, o cenário demonstra um processo de estagnação ambiental, no qual os problemas históricos relacionados à poluição hídrica permanecem sem solução efetiva. Segundo os pesquisadores, grande parte dos pontos monitorados está localizada em regiões urbanas, onde ainda há despejo irregular de esgoto doméstico diretamente nos rios, agravando continuamente a contaminação das águas.
Apesar do quadro preocupante, o estudo aponta que mais de 80% das águas analisadas ainda podem ser utilizadas em determinadas atividades, como agricultura e processos industriais, desde que sejam respeitados critérios específicos de uso. Entretanto, para consumo humano, a água precisa obrigatoriamente passar por tratamento químico adequado antes de ser distribuída à população. Especialistas afirmam que a melhoria da qualidade dos rios brasileiros depende diretamente da ampliação do saneamento básico, da implementação de políticas públicas ambientais e do fortalecimento da educação ambiental. Além disso, pesquisadores destacam a importância da participação da sociedade no acompanhamento das condições dos recursos hídricos, cobrando ações de fiscalização e maior controle sobre a poluição dos rios. Segundo os responsáveis pelo estudo, a conscientização da população é fundamental para pressionar autoridades e incentivar práticas mais sustentáveis de preservação ambiental. A pesquisa também reforça que a degradação dos rios não representa apenas um problema ecológico, mas também uma ameaça à saúde pública, ao abastecimento de água e ao desenvolvimento econômico de diversas regiões brasileiras que dependem diretamente da conservação dos seus recursos naturais.

