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O relatório anual sobre liberdade de imprensa divulgado pela organização Repórteres Sem Fronteiras revelou um cenário global considerado preocupante para o jornalismo. Pela primeira vez desde a criação do ranking, mais da metade dos países avaliados aparece em situação classificada como difícil ou muito grave para o exercício da atividade jornalística. O estudo aponta que a pontuação média mundial atingiu o pior nível já registrado, demonstrando um avanço das restrições à atuação da imprensa em diferentes regiões do planeta. Entre os dados destacados está a mudança de posição entre Brasil e Estados Unidos. O Brasil apresentou melhora significativa nos últimos anos e subiu 58 posições desde 2022, ultrapassando os norte-americanos pela primeira vez no ranking. Já os Estados Unidos perderam sete posições e passaram a ocupar a 64ª colocação. Segundo o relatório, fatores ligados ao aumento de tensões políticas, ataques à imprensa e enfraquecimento institucional contribuíram para a piora do cenário norte-americano. A pesquisa também mostra que a quantidade de pessoas vivendo em países considerados seguros para o jornalismo caiu drasticamente nas últimas décadas. Em 2002, cerca de 20% da população mundial estava em nações classificadas com boa situação para a liberdade de imprensa, enquanto atualmente esse percentual não chega a 1%.
O levantamento destaca ainda o avanço de práticas autoritárias em diferentes partes do mundo, especialmente em países que utilizam leis e mecanismos institucionais para limitar o trabalho dos jornalistas. Entre os exemplos citados estão Rússia, China, Índia e Arábia Saudita, além de diversos outros países localizados principalmente na Ásia e no Oriente Médio, regiões classificadas como extremamente perigosas para a atividade jornalística. No caso da Rússia, o relatório afirma que legislações específicas têm sido usadas para restringir a circulação de informações e intimidar profissionais da comunicação. A situação da Palestina também recebeu destaque no documento, principalmente devido ao elevado número de jornalistas mortos na Faixa de Gaza desde outubro de 2023, durante operações militares israelenses. De acordo com o estudo, mais de 220 profissionais da imprensa morreram no território palestino nesse período. A organização afirma que conflitos armados, perseguições políticas e ausência de garantias institucionais tornam o exercício do jornalismo cada vez mais arriscado em diversas partes do mundo.
Na América Latina, o relatório identifica um crescimento de ações judiciais utilizadas para intimidar e silenciar jornalistas, prática que compromete a liberdade de informação e dificulta a cobertura de temas de interesse público. O estudo também ressalta que, em regiões afetadas pela atuação de cartéis criminosos e organizações violentas, faltam políticas de proteção voltadas aos profissionais da imprensa. Segundo representantes da organização responsável pelo levantamento, medidas criadas originalmente para combater ameaças à segurança nacional passaram a ser aplicadas de maneira abusiva em diferentes países após os atentados de 11 de setembro de 2001. Essas leis têm sido usadas para limitar reportagens, restringir investigações e dificultar o acesso da população a informações relevantes. O relatório alerta que práticas antes associadas principalmente a regimes autoritários vêm sendo adotadas também em democracias, ampliando os desafios enfrentados pelos jornalistas e fortalecendo um ambiente de insegurança para a liberdade de expressão em escala global.

