MWM MWMW MWM MWMWMW, 11 de Maio
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Uma pesquisa inédita divulgada pelo Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou que o medo provocado pela violência e pela atuação do crime organizado já influencia diretamente a rotina de milhões de brasileiros. O levantamento mostra que cerca de 68 milhões de pessoas afirmam perceber a presença de facções criminosas ou milícias nos bairros onde vivem, especialmente em grandes centros urbanos, mas também em cidades do interior do país. Em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas, moradores relatam conviver diariamente com tiroteios, operações policiais, assaltos e ameaças constantes. Em regiões como o Morro do Salgueiro, na região metropolitana do Rio de Janeiro, moradores afirmam que o medo passou a fazer parte da rotina diária. Situação semelhante é observada em áreas como o Morro do Papagaio, onde famílias convivem há décadas com a violência relacionada ao tráfico e às disputas criminosas. Segundo os pesquisadores, a sensação de insegurança deixou de ser um problema restrito às capitais e passou a atingir também municípios menores e cidades do interior brasileiro.



Os dados apontam que 41% dos entrevistados reconhecem a presença de organizações criminosas nas regiões onde vivem. Nas capitais, esse percentual sobe para quase 56%, enquanto nas cidades das regiões metropolitanas chega a 46%. Já no interior do país, 34% afirmam perceber a atuação de grupos criminosos próximos de suas residências. A pesquisa também mostra que oito em cada dez brasileiros admitem ter alterado comportamentos e relações pessoais devido à violência. Muitos moradores evitam receber visitas, frequentar determinados locais ou circular em horários considerados perigosos. Em algumas comunidades, o medo constante faz com que famílias permaneçam isoladas socialmente para reduzir riscos. O levantamento revela ainda que 64% das pessoas evitam denunciar criminosos por receio de represálias, demonstrando a falta de confiança na proteção oferecida pelo Estado. Especialistas em segurança pública afirmam que o medo generalizado observado no país está relacionado à expansão territorial do crime organizado e à crescente influência dessas organizações em diferentes regiões brasileiras.

Além das consequências emocionais e sociais, a violência também vem provocando mudanças práticas no cotidiano da população. Segundo a pesquisa, quase 60% dos brasileiros modificaram hábitos e rotinas por medo da criminalidade. Entre as atitudes mais comuns estão alterar trajetos diários, evitar sair à noite, deixar de utilizar celulares em locais públicos e retirar acessórios ou objetos de valor para reduzir o risco de assaltos. O levantamento mostra ainda que a principal preocupação atual da população está relacionada aos golpes virtuais. Fraudes aplicadas pela internet ou por telefone celular assustam 83% dos entrevistados, superando inclusive o medo de roubos armados, assassinatos, balas perdidas e furtos de aparelhos celulares. Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os dados demonstram que o combate à violência exige ações integradas entre governos estaduais, federal e órgãos de segurança, já que não existe uma solução única capaz de resolver o problema. Os especialistas defendem que políticas públicas permanentes, investimentos em prevenção e integração das forças policiais são fundamentais para enfrentar a expansão do crime organizado e reduzir a sensação de insegurança vivida pela população brasileira.