MWM MWMW MWM MWMWMW, 09 de Abril
-


Após cinco anos de queda, os ataques virtuais contra jornalistas voltaram a crescer no Brasil, segundo relatório sobre violações à liberdade de expressão divulgado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Em 2025, foram registrados cerca de 900 mil ataques desse tipo, o que representa uma média de quase 2.500 ocorrências por dia, ou aproximadamente duas por minuto. Esse volume indica um aumento de 35% em relação a 2024, ano que havia registrado o menor índice desde o início da série histórica. O estudo aponta que a internet se consolidou como o principal ambiente de agressões ao trabalho jornalístico, modificando a forma como essas violências são praticadas.



Além das agressões virtuais, o levantamento também analisou os casos de violência não letal contra profissionais de imprensa. Em 2024, foram registrados 66 casos envolvendo pelo menos 80 jornalistas e veículos de comunicação, o que representa uma redução de 9,1% em relação ao ano anterior. No entanto, apesar da queda numérica, o relatório destaca que o conjunto dessas ocorrências inclui diferentes tipos de ataques, como ofensas, intimidações, ameaças, injúrias, censura, furtos, roubos, detenções e até atos obscenos. A própria entidade responsável pelo levantamento ressalta que, mesmo com redução em alguns indicadores, o cenário ainda é preocupante e não pode ser interpretado como uma melhora significativa nas condições de segurança dos profissionais.

Dentro das violências não letais, as agressões físicas representaram 39% dos casos, com 26 ocorrências registradas, incluindo chutes, socos, tapas e pontapés, o que corresponde a um aumento de 11,5% em comparação a 2024. O levantamento também indica que os homens e profissionais de emissoras de televisão foram os mais atingidos. Quanto à autoria das agressões, o relatório aponta que políticos e ocupantes de cargos públicos aparecem como principais responsáveis, seguidos por torcedores e integrantes de equipes esportivas. Em um contexto mais amplo, o estudo da organização Repórteres Sem Fronteiras coloca o Brasil na 63ª posição entre 180 países no ranking global de liberdade de expressão, evidenciando desafios persistentes para a proteção do jornalismo no país.