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A realização de uma das maiores feiras do agronegócio do Centro-Oeste brasileiro está movimentando Brasília ao reunir produtores rurais, pesquisadores, empresários e representantes do setor agrícola em busca de soluções capazes de aumentar a produtividade e reduzir custos no campo. A AgroBrasília apresenta inovações voltadas tanto para grandes propriedades quanto para pequenos produtores, com destaque para tecnologias sustentáveis e de maior eficiência econômica. Entre os projetos apresentados está uma horta vertical produzida com tubos de PVC, capaz de cultivar cerca de 120 plantas em apenas um metro quadrado. O sistema funciona sem uso de solo, utilizando somente água e nutrientes para o desenvolvimento de hortaliças como alface e rúcula. Segundo os desenvolvedores, o investimento inicial é relativamente baixo e pode ser recuperado logo no primeiro ciclo de produção, tornando a tecnologia acessível e lucrativa para agricultores familiares e pequenos empreendedores rurais. A feira reúne aproximadamente 550 expositores, oferecendo equipamentos, sementes, fertilizantes, tecnologias agrícolas e alternativas para redução de custos na produção agropecuária.
Outro destaque do evento é a apresentação de soluções desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, voltadas ao aumento da eficiência no uso de insumos agrícolas. Um dos produtos que chamou atenção foi o calcário em grãos, criado como alternativa ao modelo tradicional em pó. A nova versão reduz desperdícios durante a aplicação no solo, melhora a distribuição do produto e aumenta sua eficácia no tratamento agrícola. A tecnologia surge em um momento de preocupação dos produtores com a elevação dos preços dos fertilizantes e outros insumos importados. Além disso, a Embrapa lançou cinco novas variedades de grãos, frutas e hortaliças desenvolvidas ao longo de anos de pesquisa científica. Entre elas está uma variedade de soja mais resistente a pragas e doenças, além do chamado maracujá-maçã, fruta adaptada às condições climáticas brasileiras e inspirada em uma espécie típica da Colômbia. O objetivo das pesquisas é ampliar a produtividade, reduzir perdas e oferecer alternativas mais resistentes às mudanças climáticas e às condições adversas enfrentadas pelos produtores rurais em diferentes regiões do país.
As inovações também incluem avanços no cultivo do trigo, buscando reduzir a dependência brasileira da importação do cereal. Uma nova variedade desenvolvida pela pesquisa nacional apresenta maior resistência ao calor e à seca, características consideradas fundamentais para o cultivo em regiões do Cerrado. Segundo pesquisadores, o material consegue manter boa produtividade mesmo com baixa umidade no solo e longos períodos sem chuva, alcançando resultados expressivos em cerca de cem dias de cultivo. O desenvolvimento da nova variedade levou aproximadamente oito anos de pesquisa até chegar às lavouras comerciais. Agricultores que já utilizam o novo trigo relatam resultados positivos, especialmente em relação à resistência ao estresse hídrico. Em propriedades rurais onde a chuva ficou ausente por semanas, a lavoura conseguiu manter desenvolvimento satisfatório, reforçando a importância da pesquisa científica para o fortalecimento da agricultura brasileira. A AgroBrasília demonstra como a integração entre ciência, tecnologia e produção rural vem se tornando fundamental para aumentar a competitividade do agronegócio, reduzir custos e enfrentar desafios ambientais e econômicos que impactam o setor agrícola nacional.

