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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vem ampliando, em todo o Brasil, uma iniciativa criada originalmente no Paraná com o objetivo de facilitar o processo de adoção de crianças e adolescentes que enfrentam maiores dificuldades para encontrar uma nova família. A ação está inserida no contexto do Dia da Adoção e utiliza recursos tecnológicos para dar mais visibilidade a perfis considerados de difícil adoção, como grupos de irmãos, adolescentes mais velhos e crianças com condições de saúde específicas. A proposta central é aproximar, de forma responsável e supervisionada, famílias habilitadas e crianças em situação de acolhimento, reduzindo o tempo de espera e aumentando as chances de uma convivência familiar estável e afetiva.
Entre os casos que ilustram o impacto da iniciativa está o dos irmãos gêmeos Marcos Augusto e Maria Vitória, que passaram a infância em uma instituição de acolhimento no Paraná. Em 2019, já na adolescência e com poucas perspectivas de adoção, eles gravaram um vídeo por meio da plataforma A.DOT, relatando o desejo de ter uma família. O material chamou a atenção de um casal, Sueli e Rafael, que decidiu conhecê-los e, posteriormente, iniciar o processo de adoção. A experiência resultou na formação de uma nova família, hoje composta por sete filhos, e reforçou a importância do contato emocional proporcionado pelos vídeos, que permitem que crianças e adolescentes expressem seus sonhos e expectativas em relação a um lar. Segundo relatos, esse formato contribui para que potenciais adotantes se identifiquem com os perfis apresentados, criando vínculos ainda antes do encontro presencial.
A ferramenta A.DOT foi desenvolvida em 2018 pelo Tribunal de Justiça do Paraná com o propósito de ampliar a visibilidade de crianças e adolescentes que, por diferentes razões, enfrentam maior dificuldade de inserção em uma nova família. O sistema preserva a identidade dos menores, mas permite que suas histórias e características sejam conhecidas por pessoas devidamente habilitadas para adoção. Inicialmente adotado em alguns estados, o aplicativo passou a integrar o Sistema Nacional de Adoção, ampliando seu alcance em nível nacional. Em oito anos de funcionamento, contribuiu para mais de duzentas adoções, em sua maioria de adolescentes com mais de 13 anos. Atualmente, cerca de 1.800 perfis permanecem disponíveis na plataforma, aguardando a formação de vínculos familiares. O processo de adoção, entretanto, segue critérios legais rigorosos, com análise das varas da infância e juventude, garantindo segurança jurídica e avaliação psicossocial adequada antes da efetivação de cada adoção.

