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Rodovias estratégicas para o transporte da produção agrícola enfrentam graves problemas de infraestrutura na região Centro-Norte do Brasil, comprometendo o escoamento de grãos, minérios e outros produtos do agronegócio. Em diversos trechos de estradas federais e estaduais localizados em Mato Grosso, Pará e Tocantins, motoristas e produtores rurais relatam dificuldades constantes provocadas por buracos, lama e atoleiros. Na BR-158, importante corredor logístico entre Vila Rica, em Mato Grosso, e Santana do Araguaia, no Pará, caminhoneiros enfrentam obstáculos que dificultam a circulação de cargas e aumentam os riscos de acidentes. Entre os municípios de Luciara e Confresa, também em Mato Grosso, caminhões atolados provocaram congestionamentos e interromperam o tráfego de veículos pesados. Situação semelhante foi registrada no Tocantins, em rodovias estaduais como a TO-446 e a TO-255, onde filas de caminhões transportando grãos e gado se estenderam por quilômetros. Veículos quebrados e encalhados na lama agravaram ainda mais a situação, afetando diretamente o fluxo da produção agrícola da região.
As condições precárias das estradas têm provocado aumento dos custos de produção e prejuízos econômicos para produtores rurais e transportadores. Em Lagoa da Confusão, no Tocantins, agricultores afirmam que o custo para produzir arroz aumentou devido às dificuldades logísticas enfrentadas durante o transporte da safra. Segundo relatos, o atraso nas viagens reduz a quantidade de cargas transportadas por dia, aumenta o desgaste dos veículos e eleva significativamente o valor do frete. Enquanto anteriormente os custos de transporte eram estimados entre R$ 40 e R$ 45 por tonelada, atualmente os valores ultrapassam R$ 50 em determinados períodos, especialmente durante a estação chuvosa. Além dos prejuízos financeiros, a demora na retirada da produção do campo também compromete a qualidade dos grãos, que podem perder umidade e valor comercial após o período ideal de colheita. Diante da falta de soluções definitivas por parte do poder público, produtores do sudoeste do Tocantins passaram a investir recursos próprios em reparos emergenciais nas estradas. Desde 2020, agricultores da região afirmam ter gasto mais de R$ 700 mil em ações como fornecimento de cascalho e apoio à manutenção das vias.
Produtores e caminhoneiros criticam a ausência de planejamento e investimentos adequados em infraestrutura rodoviária, especialmente em regiões fortemente dependentes do agronegócio. Segundo os relatos, as condições climáticas da região são previsíveis, com períodos bem definidos de seca e chuva, o que permitiria maior organização para obras preventivas e manutenção das estradas antes do início das safras. Mesmo com iniciativas emergenciais realizadas pelo governo estadual, moradores afirmam que os serviços executados são insuficientes e frequentemente interrompidos por problemas mecânicos nos equipamentos utilizados. A Agência Tocantinense de Transportes e Obras informou que realiza trabalhos de manutenção nas rodovias estaduais, mas não apresentou previsão para pavimentação dos trechos mais críticos mostrados nas reportagens. Já o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes não respondeu aos questionamentos sobre a situação das rodovias federais afetadas. Enquanto isso, produtores e transportadores seguem enfrentando dificuldades para garantir o escoamento da produção, em um cenário que compromete a competitividade do agronegócio e gera impactos econômicos em diferentes setores da cadeia produtiva brasileira.

