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O Brasil tem registrado um aumento significativo nas denúncias de um tipo de violência contra a mulher que, muitas vezes, passa despercebido por não deixar marcas físicas: a violência patrimonial. Esse tipo de abuso ocorre quando o agressor exerce controle sobre os recursos financeiros, bens e direitos da vítima, impedindo, por exemplo, que ela trabalhe, tenha acesso ao próprio dinheiro ou administre seu patrimônio. Especialistas alertam que essa forma de violência frequentemente está associada a outros tipos de abuso, como o psicológico e o moral, dificultando ainda mais sua identificação. Diante desse cenário, iniciativas vêm sendo adotadas para ampliar a conscientização e orientar as mulheres sobre seus direitos, já que muitas vítimas têm dificuldade em reconhecer que estão inseridas em um contexto de violência.
Como forma de enfrentamento ao problema, teve início um mutirão nacional promovido por cartórios em diversos estados, com o objetivo de oferecer orientação gratuita às mulheres. A ação inclui atendimento presencial e remoto, além da disponibilização de materiais informativos, como guias online, que explicam como identificar a violência patrimonial e quais medidas podem ser adotadas. Durante o atendimento, são abordadas questões relacionadas à regularização de imóveis, regimes de casamento, direitos em uniões estáveis e possíveis abusos envolvendo procurações ou controle excessivo de recursos por parte do parceiro. A iniciativa busca não apenas informar, mas também fortalecer a autonomia das mulheres, incentivando o reconhecimento de sinais iniciais de abuso e a busca por apoio especializado.
Os dados recentes evidenciam a gravidade da situação, com o número de denúncias de violência patrimonial mais que dobrando no último ano, alcançando cerca de 23 mil registros. Apenas nos dois primeiros meses do ano seguinte, já foram contabilizadas mais de 6 mil ocorrências. Diante desse aumento, autoridades destacam a importância de procurar ajuda por meio de canais como a Delegacia da Mulher e serviços de atendimento especializados, que podem solicitar medidas protetivas de urgência, como a recuperação de bens ou o afastamento do agressor. O Ministério das Mulheres atribui o crescimento das denúncias à maior confiança das vítimas nos canais de apoio, como a central de atendimento telefônico, e reforça a necessidade de ações contínuas de conscientização, visando combater esse tipo de violência e promover maior proteção e independência para as mulheres.

