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No Rio Grande do Sul, a produção de uvas segue em ritmo intenso, com destaque para técnicas inovadoras que buscam melhorar a qualidade da fruta. Em algumas vinícolas da região da Campanha Gaúcha, como em Candiota, a colheita ocorre durante a noite e nas primeiras horas da manhã, aproveitando temperaturas mais baixas. Essa estratégia é adotada para evitar o calor excessivo do dia, que pode chegar a 35 graus, o que comprometeria características sensíveis da uva. Durante a madrugada, com temperaturas em torno de 18 graus, o ambiente se torna mais favorável para preservar aromas, acidez e integridade do fruto, resultando em um produto final de maior qualidade.
Uma das variedades que recebe atenção especial nesse processo é a Sauvignon Blanc, cultivada em meio a aproximadamente 200 hectares de vinhedos que abrigam diversas cepas. A colheita noturna, embora ainda não seja uma prática amplamente difundida no Brasil, vem ganhando espaço por seus resultados positivos. O uso de máquinas colheitadeiras tem papel fundamental nesse modelo produtivo, permitindo maior rapidez e eficiência, com capacidade de colher cerca de 15 toneladas de uvas por hora. Há cerca de uma década, a adoção dessa tecnologia passou a ser testada na região, especialmente para essa variedade, e os resultados indicaram melhora significativa na qualidade dos vinhos produzidos.
Após a colheita, o processo segue com rapidez para evitar qualquer perda de qualidade. As uvas são imediatamente selecionadas, resfriadas e encaminhadas para a prensagem ainda durante a madrugada, iniciando a transformação em vinho em poucas horas. O objetivo é preservar aromas delicados e características sensoriais específicas, como notas vegetais e frescas, que incluem nuances de broto de tomate e oliva. Cada safra dessa vinícola resulta em cerca de 150 mil litros de vinho produzidos a partir da colheita noturna, reforçando a importância dessa técnica para o setor. O Rio Grande do Sul, maior produtor de uvas e vinhos do país, projeta ainda uma safra aproximadamente 5% maior neste ano, consolidando a força da vitivinicultura na economia regional e no turismo local.

