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As condições climáticas registradas nos primeiros meses do ano provocaram mudanças no planejamento agrícola de produtores rurais em Goiás, especialmente na produção de milho segunda safra, conhecida como milho safrinha. O excesso de chuvas nos meses de janeiro e fevereiro atrasou a colheita da soja em diversas regiões do estado, reduzindo o tempo disponível para o plantio do milho dentro da chamada janela ideal de semeadura. Diante desse cenário, muitos agricultores decidiram diminuir a área destinada ao cereal e ampliar o cultivo de sorgo, considerado mais resistente à seca e menos arriscado em períodos de instabilidade climática. Em propriedades localizadas no município de Acreúna, produtores relataram que a mudança de estratégia foi necessária para evitar prejuízos maiores. Em uma das fazendas, cerca de dois mil hectares passaram a ser utilizados para o plantio do sorgo, enquanto o milho foi semeado apenas no limite do período considerado adequado. Agricultores afirmam que, neste momento, a expectativa depende principalmente da continuidade das chuvas para garantir o desenvolvimento das lavouras e reduzir os riscos de perda na produção.
A Companhia Nacional de Abastecimento indicou, em sua estimativa mais recente, uma redução de quase 4% na área plantada com milho safrinha em Goiás nesta temporada. O levantamento reflete as dificuldades enfrentadas pelos produtores diante das alterações climáticas e do atraso no calendário agrícola. Em algumas propriedades rurais, o milho chegou a ser totalmente substituído pelo sorgo em grande parte das áreas cultivadas. Em uma fazenda com aproximadamente 1.750 hectares, por exemplo, o produtor decidiu utilizar mais da metade da área para o plantio da nova cultura após perder o período considerado ideal para a semeadura do milho. O sorgo passou a ser visto como alternativa mais segura por exigir menor volume de água para se desenvolver e apresentar maior tolerância aos períodos de estiagem. Além disso, os custos de produção do sorgo costumam ser menores em comparação ao milho, fator que também influencia as decisões dos agricultores em momentos de maior incerteza climática e econômica. Mesmo com menor rentabilidade potencial, muitos produtores consideram que a redução dos riscos compensa a troca de culturas nesta safra.
Especialistas do setor agrícola alertam que o plantio do milho fora do período recomendado pode comprometer significativamente a produtividade das lavouras. Agrônomos explicam que o atraso na semeadura aumenta a exposição das plantações ao período de seca, reduzindo o potencial de desenvolvimento dos grãos e elevando a possibilidade de perdas econômicas. Segundo técnicos que acompanham as operações nas propriedades rurais, o milho continua sendo uma cultura mais rentável em condições normais, mas a semeadura tardia pode tornar o cultivo economicamente inviável. O risco de queda na produtividade é considerado elevado à medida que o plantio avança além da janela agrícola ideal. Diante desse cenário, produtores seguem acompanhando as previsões climáticas e aguardam a ocorrência de novas chuvas nas próximas semanas para garantir melhores condições às áreas já plantadas. O comportamento do clima deverá ser decisivo para definir o desempenho final da safra de milho em Goiás e os impactos econômicos para os agricultores da região.

