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A Receita Federal intensificou a fiscalização na fronteira entre o Brasil e o Paraguai para combater a entrada ilegal de pneus no território brasileiro. A operação ocorre principalmente na região de Foz do Iguaçu, onde caminhões atravessam diariamente a Ponte da Integração transportando mercadorias entre os dois países. Segundo as autoridades, cerca de 250 caminhões passam pela ponte todos os dias, e muitos deles tentam introduzir pneus de forma irregular no Brasil. Os agentes federais afirmam que alguns motoristas utilizam os próprios veículos para esconder os produtos, simulando que os pneus fazem parte do uso normal do caminhão, quando na realidade eles serão desmontados e vendidos ilegalmente em borracharias e comércios brasileiros. Como pneus não entram na cota de compras permitida para viajantes em fronteiras terrestres, a importação legal exige o pagamento de taxas específicas. Para evitar fraudes, fiscais passaram a registrar códigos de identificação nos pneus e monitorar eletronicamente os veículos que entram e saem do país. Quando há suspeita de irregularidade, os caminhões podem ser retidos até que a situação seja esclarecida.
O comércio ilegal é impulsionado pela diferença de preços entre os dois países. De acordo com a Receita Federal, alguns modelos de pneus vendidos no Paraguai custam até 30% menos do que no mercado brasileiro, fator que estimula o contrabando e o crime de descaminho. As investigações apontam que algumas borracharias contratam caminhoneiros para entrar no Brasil com veículos vazios, descarregar pneus novos de origem estrangeira e retornar com pneus usados para evitar suspeitas durante a fiscalização. Em uma operação realizada na cidade de Cascavel, fiscais flagraram a troca irregular de pneus em uma borracharia. Os produtos recém-chegados do Paraguai estavam sendo retirados de uma carreta no momento da abordagem. O motorista envolvido poderá responder criminalmente pelo crime de descaminho, relacionado à entrada de mercadorias sem o devido pagamento de impostos. Segundo dados da Receita Federal, mais de 700 mil pneus foram apreendidos no Brasil nos últimos dois anos, sendo aproximadamente 35% das apreensões registradas no estado do Paraná, principal rota terrestre utilizada para esse tipo de transporte ilegal.
As autoridades também alertam para os riscos à segurança provocados pelo uso desses pneus transportados irregularmente. Muitos produtos são introduzidos no país de forma inadequada para reduzir espaço e dificultar a fiscalização. Pneus menores costumam ser colocados uns dentro dos outros, ficando retorcidos e deformados durante o transporte. Em alguns casos, fiscais encontraram até cinco pneus comprimidos dentro de outro maior, exigindo equipamentos especiais para a retirada. A Polícia Rodoviária Federal afirma que essas deformações podem comprometer a estrutura dos pneus, aumentando significativamente o risco de acidentes nas estradas. Especialistas alertam que pneus danificados podem provocar perda de estabilidade, estouros durante o deslocamento e até capotamentos, colocando em perigo motoristas, passageiros e outros veículos. Além do impacto econômico causado pela concorrência desleal com empresas brasileiras, o comércio ilegal de pneus é considerado uma ameaça à segurança viária e à fiscalização tributária do país.

