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Um levantamento realizado pelo Instituto Sou da Paz revela que a maioria dos homicídios no Brasil permanece sem solução, evidenciando fragilidades nas investigações criminais. De acordo com os dados, entre 2021 e 2023, mais de 60% desses crimes não foram esclarecidos, o que significa que, na maior parte dos casos, não houve identificação de suspeitos nem encaminhamento formal de denúncia à Justiça. Esse cenário impacta diretamente milhares de famílias que, além de enfrentarem a perda de entes queridos, convivem com a ausência de respostas sobre as circunstâncias das mortes. Especialistas em segurança pública, pesquisadores e representantes do setor público têm discutido formas de aprimorar os mecanismos de investigação, com o objetivo de reduzir a impunidade e aumentar a efetividade do sistema de justiça criminal no país.
O caso de Samuel, um jovem de 19 anos desaparecido em 2017 na cidade de São Paulo, ilustra a complexidade e a demora na elucidação desses crimes. Após sair de casa para encontrar amigos, o jovem não retornou, levando a família a iniciar buscas intensas e registrar ocorrência. Somente sete anos depois, foi confirmado que o corpo havia sido encontrado poucos dias após o desaparecimento, às margens do Rio Pinheiros, e enterrado como indigente. Exames posteriores indicaram sinais de violência, mas, até o momento, não há esclarecimento completo sobre as circunstâncias da morte. A reabertura das investigações reforça a expectativa da família por respostas, ao mesmo tempo em que evidencia dificuldades estruturais enfrentadas pelas autoridades para solucionar casos semelhantes. Situações como essa se repetem em diferentes regiões do país, ampliando a sensação de insegurança e injustiça.
Diante desse quadro, iniciativas institucionais buscam aprimorar o monitoramento e a transparência das investigações. O Ministério da Justiça e Segurança Pública criou um indicador nacional para medir a taxa de esclarecimento de homicídios e feminicídios, com o objetivo de padronizar dados e permitir comparações entre estados. A proposta é que a mensuração contribua para a formulação de políticas públicas mais eficazes, direcionando investimentos e fortalecendo equipes de investigação. Estados que já adotam esse tipo de controle apresentam índices mais elevados de resolução, demonstrando a importância da gestão baseada em dados. Com a implementação desse indicador em âmbito nacional, espera-se maior integração entre os órgãos de segurança e avanços na capacidade de resposta do Estado, reduzindo a impunidade e oferecendo às famílias das vítimas a possibilidade de encerrar um ciclo marcado pela incerteza.

